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Agronegócio
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Soja RTRS: Brasil lidera com mais de 10 milhões de toneladas certificadas

Crescimento da produção de soja responsável reflete demanda crescente e práticas sustentáveis

Carlos Silva18 de maio de 2026 às 12:30
Soja RTRS: Brasil lidera com mais de 10 milhões de toneladas certificadas

Em 2025, a certificação da soja responsável da RTRS (Round Table on Responsible Soy) superou a marca de 10 milhões de toneladas, solidificando o Brasil como o maior fornecedor mundial desse grão certificado.

O total de soja certificada atingiu 10,3 milhões de toneladas globalmente, refletindo uma ampla adoção de práticas sustentáveis na cadeia produtiva, estimulada pela demanda crescente dos mercados consumidores e pela colaboração da indústria de alimentos e de ração animal.

Em 2025, a demanda por soja certificada cresceu 9,5%, somando 8,1 milhões de toneladas consumidas.

Atualmente, a RTRS conta com mais de 84 mil produtores certificados em diversos países, apoiados por uma rede que envolve armazenadoras, portos e indústrias, integrando os diferentes elos dessa cadeia produtiva.

Brasil: Principal produtor global

O Brasil destaca-se na produção de soja RTRS, possuindo 220 unidades certificadas que representam 77% da área total certificada e 83% da produção global desse grão responsável. Outros países como Argentina, Paraguai, Uruguai, Índia e Uganda também possuem produtores certificados.

A demanda por soja responsável é predominante na Europa, com ênfase na Holanda e Dinamarca, onde as regulamentações ambientais mais rígidas exigem rastreabilidade.

Outro aspecto significativo é o avanço na cadeia de custódia, com 17 novas empresas e 41 novas localizações obtendo a certificação RTRS este ano, expandindo a presença em mercados como Brasil, Argentina, Índia e Paraguai.

Adicionalmente, a produção de milho certificada também cresceu 17%, alcançando 5,4 milhões de toneladas.

Desafios para a certificação

Apesar dos avanços, a RTRS reconhece que ainda existem desafios a serem superados para aumentar a certificação. Alvaro A. P. Queiroz, gerente de Desenvolvimento de Mercado Brasil da entidade, aponta que é crucial estimular a demanda por soja certificada entre grandes compradores, como indústrias de alimentos e ração.

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A cadeia da soja é longa e complexa, e o consumidor final não percebe claramente sua presença nos produtos. Isso resulta em uma percepção de valor da soja certificada baixa.

Queiroz ressalta que o custo de adesão e a falta de informações sobre o processo dificultam a inclusão de pequenos e médios produtores. No entanto, muitos deles já atendem a uma parte significativa dos critérios de certificação, devido à legislação ambiental e trabalhista do Brasil.

Ele acredita que há um grande potencial de expansão em mercados como o Sudeste Asiático e também em setores como a aquacultura, especialmente diante de novas exigências referentes à rastreabilidade e à pegada de carbono.

A certificação vai além do combate ao desmatamento; inclui condições de trabalho, interações com comunidades e boas práticas agrícolas.

É essencial que os mercados compreendam a importância da certificação e seu papel na construção de uma cadeia produtiva mais responsável.

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