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Agronegócio
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União Europeia suspende importação de produtos brasileiros de origem animal

Entidades do agronegócio criticam decisão e pedem resposta do governo

João Pereira08 de junho de 2026 às 08:50
União Europeia suspende importação de produtos brasileiros de origem animal

Entidades representativas do agronegócio brasileiro manifestaram forte descontentamento após a União Europeia (UE) confirmar, em 5 de dezembro, a suspensão das importações de produtos de origem animal do Brasil, como carne bovina e aves, a partir de setembro de 2026. O setor critica a medida e exige uma resposta mais assertiva do governo brasileiro e do Mercosul.

Motivos da suspensão

A decisão da UE se baseia nas normas que regem o uso de antimicrobianos na produção animal, incluindo antibióticos. Embora um regulamento tenha sido aprovado em 2019 e atualizado em 2023, considerando o prazo até setembro de 2026 para os países exportadores se adequarem, o Brasil não apresentou documentação considerada suficiente para atender às exigências de fiscalização da UE.

Os produtos afetados incluem carne bovina, aves, mel e peixes da aquicultura.

Reação da Sociedade Rural Brasileira

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) pediu uma análise técnica do ocorrido, evitando que o debate se transforme em busca de culpados. Em nota oficial, a SRB solicitou uma investigação detalhada para identificar as falhas no cronograma de adequação às normas da UE e enfatizou a capacidade técnica do Brasil em atender às exigências internacionais.

Impacto econômico e exigências sanitárias

A situação pode ter repercussões econômicas significativas, uma vez que, em 2025, as exportações de produtos afetados totalizaram US$ 1,8 bilhão do total de US$ 49,8 bilhões exportados para a UE. Associações do setor, como a ABPA e a Abiec, defendem que o conflito é mais burocrático do que sanitário, ligado à falta de validação dos processos oficiais de controle conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

Demandas ao governo e ao Mercosul

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) classificou a decisão da UE como desprovida de base na realidade sanitária brasileira e insistiu na urgência da entrega das informações solicitadas pela UE. Além disso, a Faesp, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, criticou a nova régua de exigências que, segundo eles, muda as condições de 25 anos de diálogo entre Mercosul e UE.

A Faesp também destacou que a falta de uma resposta conjunta do Mercosul, envolvendo Brasil, Argentina e Uruguai, pode aumentar a insegurança entre frigoríficos e todos os atores da cadeia produtiva.

Perspectivas futuras

Até o momento, não há informações detalhadas sobre como a suspensão impactará realmente as exportações. O setor aguarda definições sobre questões como documentação pendente, cronograma de revisões e o alcance das restrições impostas pela UE. As medidas futuras dependerão do progresso das negociações diplomáticas e do envio das informações técnicas requeridas.

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