Após a adoção do bitcoin como moeda oficial, El Salvador enfrenta um cenário de desconfiança e baixa adesão à criptomoeda.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, fez promessas ambiciosas ao adotar o bitcoin como moeda oficial em 2021, alegando que isso traria 'prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira' ao país. No entanto, cinco anos depois, a realidade é bem diferente.
Bukele havia destacado a adoção do bitcoin como uma forma de impactar positivamente a economia, especialmente para salvadorenhos que vivem fora do país, oferecendo uma alternativa para reduzir custos nas remessas. Contudo, a aceitação da criptomoeda não decolou e as promessas não se concretizaram.
✨ Pesquisas indicam que 91,8% dos salvadorenhos não utilizaram o bitcoin em 2024, refletindo a falta de adesão ao sistema.
A criação de um fundo de US$ 150 milhões para apoiar a transição e a oferta de bônus para estímulo ao uso do bitcoin não conseguiram conquistar a confiança da população. Um estudo do Instituto Universitário de Opinião Pública revelou que 71% dos entrevistados não acreditavam que a cripto traria benefícios para suas economias.
Bukele continuou a comprar bitcoin com recursos públicos, mesmo diante da forte oscilação de valor da criptomoeda e críticas que alertavam para os riscos financeiros. A aprovação da Lei de Emissão de Ativos Digitais em 2023 parecia abrir novas possibilidades, mas até a criação da esperada Bitcoin City, que teria sido alimentada por energia geotérmica, não se concretizou.
A adesão ao bitcoin como moeda oficial foi revogada em resposta a uma série de condições impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que exigiu a redução dos riscos associados à criptomoeda como parte de um acordo de financiamento. O uso do bitcoin tornou-se facultativo novamente, refletindo a falta de confiança entre a população.
Hoje, El Salvador continua enfrentando desafios econômicos e, apesar das deliberações iniciais, a promessa de ser um modelo de adoção de criptomoedas e liberdade econômica não se materializou, criando um ceticismo crescente sobre os futuros passos do governo na área.
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Jornalista especializado em Brasil




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