Operação teve como alvo Raimundo Cutrim, apontado pela investigação como fonte do jornalista Luís Pablo; medida foi solicitada pela Polícia Federal e teve parecer favorável da PGR.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão apontado pela investigação como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens relacionadas ao ministro Flávio Dino e ao uso de veículos oficiais.
O alvo foi Raimundo Cutrim, delegado aposentado da Polícia Federal que já exerceu os cargos de secretário de Segurança Pública do Maranhão e deputado estadual. A investigação o identificou como uma das fontes das informações publicadas pelo jornalista Luís Pablo.
A determinação de Moraes ocorreu após pedido da Polícia Federal e contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O caso tramita sob sigilo no Supremo.
"A medida contra Raimundo Cutrim foi pedida pela Polícia Federal e teve aval da Procuradoria-Geral da República.
A investigação tem origem em reportagens publicadas pelo jornalista Luís Pablo relacionadas ao uso de veículos oficiais e à segurança de Flávio Dino e familiares no Maranhão.
Em março, Alexandre de Moraes já havia autorizado uma operação de busca e apreensão contra o próprio jornalista Luís Pablo. Na ocasião, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, incluindo celulares, notebook e HD.
Segundo informações da decisão divulgadas pela imprensa, foi a partir da análise do material apreendido com o jornalista que os investigadores chegaram ao nome de Raimundo Cutrim como fonte das reportagens.
Os equipamentos apreendidos na primeira operação foram devolvidos em abril, depois que a Polícia Federal concluiu a extração dos dados considerados relevantes para a investigação.
A defesa de Raimundo Cutrim manifestou preocupação com a identificação de uma fonte jornalística. Os advogados citaram a proteção constitucional ao sigilo da fonte e afirmaram que ainda não tiveram acesso à íntegra dos autos.
O artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal assegura o acesso à informação e resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional. O alcance dessa garantia diante das circunstâncias investigadas passou a ocupar o centro do debate jurídico e jornalístico sobre o caso.
Luís Pablo negou ter perseguido Flávio Dino ou seus familiares. O jornalista também sustenta que as informações publicadas sobre o uso dos veículos tinham interesse jornalístico.
O jornalista negou ainda ter recebido pagamento para publicar as reportagens. Essa versão contrasta com alegações apresentadas por pessoas próximas a Flávio Dino e faz parte das divergências existentes no caso.
A assessoria de Flávio Dino nega irregularidade na utilização do veículo citado nas reportagens. Segundo o gabinete, tratava-se de um carro blindado cedido pela Secretaria de Segurança do STF dentro de acordo de cooperação com tribunais.
A assessoria do ministro afirma que a investigação identificou um suposto monitoramento clandestino de Flávio Dino e familiares. Segundo essa versão, teriam sido levantadas informações sobre veículos particulares e sobre a estrutura de segurança do ministro.
A identificação da fonte provocou forte reação no meio jornalístico e abriu discussão sobre os limites de investigações envolvendo profissionais da imprensa e pessoas que fornecem informações a jornalistas.
Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo publicaram editoriais nesta quinta-feira (13) criticando a decisão e sustentando que a identificação de uma fonte jornalística ameaça uma garantia constitucional essencial ao exercício da imprensa.
Além do debate sobre o sigilo da fonte, os editoriais também questionaram a tramitação da investigação no Supremo, argumentando que os investigados não possuem foro por prerrogativa de função.
O episódio reúne versões conflitantes. De um lado, a defesa e entidades ligadas à imprensa levantam preocupações sobre a proteção constitucional do sigilo da fonte. De outro, o gabinete de Flávio Dino sustenta que o caso envolve questões de segurança e um suposto monitoramento do ministro e de sua família.
Como o processo tramita sob sigilo, parte dos elementos reunidos pela Polícia Federal não está disponível publicamente. A apuração continua, e as responsabilidades eventualmente existentes ainda dependem da conclusão das investigações e das decisões judiciais.
Alexandre de Moraes determinou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, apontado pela investigação como fonte do jornalista Luís Pablo. O caso começou após reportagens envolvendo o uso de veículos oficiais relacionados a Flávio Dino e familiares. A Polícia Federal pediu a nova diligência, a PGR deu parecer favorável e a identificação da fonte provocou críticas e um debate nacional sobre liberdade de imprensa e sigilo jornalístico.
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