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Brasil
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Arco Norte enfrenta obstáculos logísticos para escoamento eficiente

Dificuldades em infraestrutura e hidrovias atrasam crescimento da rota

Acro Rodrigues03 de abril de 2026 às 12:05
Arco Norte enfrenta obstáculos logísticos para escoamento eficiente

O Arco Norte, que responde por quase 45% do escoamento de granéis sólidos no Brasil, enfrenta desafios logísticos que limitam seu potencial de crescimento, especialmente em relação ao transporte rodoviário e a concessão de hidrovias.

Crescimento do Arco Norte

Nos últimos dez anos, a movimentação de commodities nesta rota saltou de 337 milhões de toneladas em 2015 para uma previsão de 493 milhões de toneladas em 2025, favorecida pelas exportações de soja e milho. O Arco Norte é composto por portos em estados como Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Maranhão, tornando-se cada vez mais atraente devido à sua proximidade com mercados internacionais via Canal do Panamá.

Um terço da movimentação portuária do Brasil agora ocorre no Arco Norte.

Problemas de infraestrutura

Entretanto, a ampliação do escoamento enfrenta sérios entraves devido à escassez de infraestrutura, que inclui acessos inadequados por rodovias e hidrovias. No auge da colheita, em fevereiro, caminhões transportando soja enfrentaram longas filas nas estradas, com alguns relatos de até 25 quilômetros em locais como Miritituba (PA). A condição das estradas tem causado congestionamentos que chegam a 40 quilômetros.

O contrato com a concessionária ViaBrasil para a BR-163/230, que estabelecia a melhoria dos acessos portuários em Santarenzinho, Miritituba e Itapacurá, ainda não foi cumprido, em parte devido a problemas de desapropriação, embora haja esperança de que esta situação mude em breve com a repactuação em andamento no Tribunal de Contas da União.

Desafios nas hidrovias

A ANTAQ tem incentivado o uso de hidrovias, que já são essenciais para o escoamento na região, mas enfrentam obstáculos por conta da variação climática e profundidade dos rios. A agência planejava conceder seis novos corredores fluviais, incluindo os rios Madeira, Tapajós e Tocantins, mas a recentíssima invasão de terminal da Cargill por comunidades indígenas levou à revogação do decreto que previa essas concessões.

Investidores receberam a notícia como um grande golpe, aumentando a incerteza sobre os planos de desenvolvimento das hidrovias.

Expectativas e melhorias necessárias

A expectativa é que a tomada de subsídios para discutir a hidrovia da Barra Norte aconteça no primeiro semestre de 2026. A ATP destacou a necessidade de aprofundar a hidrovia para garantir a navegabilidade e evitar congestionamentos. As empresas que têm investido em terminais privados, como a Terminais Ageo, também alertaram para o impacto negativo da baixa profundidade na eficiência operacional.

Entraves legais e ambientais

Além da infraestrutura, a atuação do Ministério Público tem dificultado processos relacionados a dragagens, enquanto o Dnit enfrenta atrasos que agregam complexidade ao escoamento de cargas. A Ferrogrão, um projeto essencial para conectar Mato Grosso ao Pará e otimizar o transporte, está em espera devido a questões judiciais no STF, limitando sua implementação até o momento.

Impactos climáticos

A seca severa registrada em 2023 e 2024 também prejudicou os planos do Arco Norte, aumentando os custos operacionais através da taxa de seca imposta por empresas de navegação. Apesar das limitações estabelecidas pela ANTAQ a fim de regular essa cobrança, uma decisão judicial suspendeu essas medidas, gerando preocupações no setor.

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