Presidente da Bolívia alerta que crise social está no limite
Rodrigo Paz enfrenta manifestações exigindo sua renúncia

Na Bolívia, o presidente Rodrigo Paz advertiu que a crise social enfrentada pelo país está prestes a ultrapassar limites, em meio a intensas manifestações que exigem sua renúncia. As ruas têm sido palco de protestos de camponeses e trabalhadores, que há quase um mês bloqueiam estradas demandando ações contra a grave crise econômica.
Durante um discurso em La Paz, o presidente, que representa a centro-direita, ressaltou a urgência de um diálogo. "O tempo está se esgotando", afirmou, enquanto tentava estabelecer um fórum para discutir políticas sociais e econômicas.
Respostas do Governo e Continuidade dos Protestos
A crise se intensificou após o Congresso revogar uma norma que limitava a capacidade do presidente de declarar estados de exceção, permitindo que Paz utilize as forças armadas para manter a ordem pública e restringir reuniões. "Aqueles que desejam prejudicar a pátria enfrentarão a força da Constituição", declarou Paz.
✨ Milhares de camponesas indígenas marcham em protesto, afirmando que não têm medo da repressão.
Na quarta-feira, em um ato significativo, milhares de mulheres indígenas marcharam pelo centro de La Paz, com algumas afirmando estar dispostas a sacrificar suas vidas pela mudança. "Preparamos nossas malas e queremos que o governo vá embora", expressou Marta Poma Luque à AFP.
Contexto da Crise
A Bolívia vive a pior crise econômica em quatro décadas, com inflação em torno de 15% e escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis nas principais cidades.
Além disso, o vice-presidente Edmand Lara, que se opõe a Paz, também fez um apelo ao diálogo, mas apenas representantes de instituições como a Igreja e a Defensoria do Povo compareceram.
Com efeitos econômicos de cerca de 600 milhões de dólares, a situação se agravou ainda mais devido aos bloqueios promovidos pelos manifestantes. Rodrigo Paz comparou a crise atual com a pandemia de COVID-19, enfatizando que a escassez está trazendo consequências severas para a população.
Recentemente, ele anunciou a redução de seu salário pela metade, um gesto considerado simbólico em meio ao descontentamento generalizado. "Estamos cansados deste presidente", afirmou uma manifestante, sublinhando a indignação popular em relação à sua administração.
A administração de Paz acusa o ex-presidente Evo Morales de fomentar os protestos. Morales, atualmente foragido, exige novas eleições em um prazo de 90 dias.
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