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Brasil reporta menor taxa de homicídios femininos desde 2014

Estudo destaca queda nos assassinatos, mas alerta para subnotificação

Carlos Silva26 de maio de 2026 às 10:15
Brasil reporta menor taxa de homicídios femininos desde 2014

Em 2024, o Brasil reportou 3.642 homicídios femininos, resultando em uma taxa de 3,4 mortes a cada 100 mil mulheres, de acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado recentemente.

Esse número representa uma queda de 6,7% em relação a 2023.

O estudo, que cobre dados desde 2014, indica uma redução contínua nos assassinatos de mulheres, acumulando uma diminuição de 27,7% na última década.

Atlas da Violência

Relatório anual produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Apesar da redução nos homicídios, a socióloga Samira Bueno, diretora do FBSP, aponta um aumento preocupante em mortes registradas como 'causa indeterminada'.

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Esses casos podem esconder assassinatos não reconhecidos, destacando a importância de uma análise cautelosa dos dados.

No total, 46.336 mulheres foram mortas no Brasil na última década, com os números mais altos ocorrendo em 2017, quando a taxa atingiu 4,7 por 100 mil.

Taxas Regionais de Homicídios

As taxas mais altas de assassinato de mulheres foram registradas em Roraima (12,6), Rondônia (5,7), e Ceará (5,7). Estados como São Paulo apresentaram a menor taxa nacional em 2024, com 1,5 homicídios.

A série histórica mostra uma queda significativa nas taxas desses estados, com destaque para Sergipe e Amapá.

Violência Doméstica e Inclusão Social

Dos homicídios, 35,2% ocorreram dentro das residências, mantendo-se estável em comparação com 2023, o que sugere que a violência doméstica persiste mesmo com a queda geral dos homicídios.

Mulheres negras foram as mais afetadas, representando 67,5% das vítimas, e a taxa de homicídios nesse grupo caiu, mas permanece alarmante.

Além disso, 293.842 mulheres foram vítimas de violência não letal em 2024, sendo 64% desses casos em âmbito doméstico.

Os casos de negligência, muitas vezes ligados a conflitos socioeconômicos, aumentaram 13,8%.

A antropóloga Débora Diniz destaca a complexidade da violência, que atinge principalmente mulheres negras e ocorre em diversos contextos de suas vidas.

Crianças também foram impactadas, com alta de 10,8% nos registros de violência sexual, reforçando a urgência de políticas de proteção social mais eficazes.

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