Milhares de crianças continuam sem adoção no Brasil
Desconexão entre perfis desejados e apresentados dificulta adoções

Apesar da existência de cinco interessados para cada criança disponível para adoção no Brasil, ainda assim, 1.783 crianças e adolescentes permanecem estagnados na "busca ativa", sem famílias dispostas a adotá-los devido a seus perfis específicos.
No Dia Nacional da Adoção, celebrado nesta segunda-feira (25), é importante ressaltar que, embora existam 32.065 pretendentes na fila para 6.247 crianças aptas, aqueles que estão na categoria dos "invisíveis" continuam sem opções de adoção, mesmo estando juridicamente prontos.
Quem são os Invisíveis?
Ao analisarmos o perfil demográfico desses menores invisíveis, nota-se que a maioria se identifica como Parda (54,3%), seguida pela Branca (26,4%) e Preta (18,2%). Apenas 1% corresponde a indígenas ou amarros.
✨ 98,5% dessas crianças não possuem doenças infectocontagiosas.
Importante observar que, dos que estão disponíveis para adoção, 66,3% não têm nenhuma deficiência, e a deficiência intelectual é a mais comum entre 24,2%, seguida por casos que incluem deficiências físicas (8%).
Ademais, 62,5% dessas crianças têm pelo menos um irmão, fato que complica ainda mais os processos de adoção, uma vez que a legislação prioriza a manutenção dos laços familiares.
Desafios da Adoção
Profissionais que atuam em instituições de acolhimento alertam que a maior barreira para a adoção é o descompasso entre os perfis desejados pelos adotantes e a realidade apresentada pelas crianças disponíveis. Enquanto muitos pretendentes almejam bebês saudáveis e sem irmãos, a maioria dos menores que esperam por uma família são, na verdade, crianças mais velhas, muitas vezes pertencentes a grupos de irmãos ou com deficiências.
✨ Essa situação exige uma revisão das expectativas da sociedade quanto à adoção.
O Contexto Atual do Acolhimento
Atualmente, existem aproximadamente 36.428 crianças acolhidas em abrigos ou casas-lares, das quais apenas uma pequena parte está disponível para adoção. Muitas delas foram acolhidas por medidas protetivas e ainda mantêm vínculos com suas famílias biológicas, esperando por reintegração.
Desde 2020, mais de 80 mil crianças já retornaram para suas famílias após a resolução de conflitos que levaram ao acolhimento. Entretanto, a distribuição dos pretendentes é desigual no Brasil, com São Paulo se destacando em número de candidatos habilitados, ao passo que regiões como o Norte e partes do Centro-Oeste e Nordeste enfrentam escassez de famílias dispostas à adoção.
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