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Justiça
2 min de leitura

Cubanos superam venezuelanos em pedidos de refúgio no Brasil

Em 2025, cubanos lideram com quase 42 mil solicitações.

Fernanda Lima22 de junho de 2026 às 09:30
Cubanos superam venezuelanos em pedidos de refúgio no Brasil

Em 2025, os cubanos se tornaram os principais solicitantes de refúgio no Brasil, ultrapassando os venezuelanos que estavam no topo há anos. Essa mudança marca um aumento de 10,9% nas solicitações em comparação com o período anterior.

Os cubanos fizeram 41.919 pedidos, um crescimento de 88,1% em relação a 2024.

Estatísticas do estudo Refúgio em Números 2026, elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça, revelam que foram registrados 75.599 pedidos de refúgio de diversas nacionalidades, o terceiro maior volume da história.

Aumento nos pedidos de refúgio

Esse aumento deve ser contextualizado na recuperação dos fluxos migratórios ao Brasil que começaram a se intensificar desde 2022, após um período de restrições de mobilidade internacional devido à pandemia de Covid-19. Anos anteriores tiveram as seguintes solicitações: 2022 (50.355), 2023 (58.628), e 2024 (68.159).

Causas da migração cubana

A situação em Cuba é caracterizada por uma economia em crise e tensões nas relações com os Estados Unidos. Desde janeiro de 2026, o governo Trump aplicou um embargo ao petróleo para a ilha, que enfrenta, entre outras questões, a falta de energia elétrica. O recente pacote de reformas econômicas aprovado pelo Parlamento cubano também se insere nesse cenário.

Cuba lidera os pedidos de refúgio no Brasil, seguida por venezuelanos e colombianos.

No total, os venezuelanos registraram 21.233 solicitações, ocupando o segundo lugar, seguidos pelos colombianos, que fizeram 1.432 pedidos. Outros países com menor volume foram Angola (1.253), Marrocos (888) e Gana (792).

Distribuição geográfica e perfil dos solicitantes

Em 2025, 52,4% dos pedidos de refúgio decididos foram concentrados na região Norte do Brasil. As maiores origens das solicitações foram, em ordem, a Venezuela (13.125), Cuba (11.490) e Colômbia (524). Roraima foi o estado onde houve o maior número de solicitações aceitas, totalizando 16.166 (32% do total).

A análise dos dados do Conare revela que a maioria dos solicitantes (94,7%) pleiteou refúgio devido à violação generalizada de direitos humanos, situação que afeta especialmente os venezuelanos. Os homens representam 55,9% dos pedidos, com destaque para a faixa etária de 25 a 40 anos, enquanto os cubanos têm predominância entre os solicitantes com mais de 60 anos (67,8%).

O Conare, que atua sob a coordenação do Ministério da Justiça, é responsável por avaliar e decidir sobre os pedidos de refúgio, sendo os trâmites facilitados para países com reconhecidas violações de direitos humanos, como a Venezuela, Síria e Afeganistão.

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