Movimentos de direita têm promovido ataques a exposições e artistas desde 2017.

O Brasil tem enfrentado uma crescente onda de perseguição às artes, começando em 2017 com a exposição Queermuseu, no centro cultural do Santander, em Porto Alegre. Na ocasião, um intenso movimento nas redes sociais levantou críticas que alegavam que a intervenção artística feriria os 'bons costumes', levando ao seu fechamento em poucos dias.
Um episódio recente e similar ocorreu com a exposição Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Previsões indicavam que a mostra deveria seguir até agosto, mas foi encerrada em maio deste ano, após ser acusada de apologia ao crime.
Outro caso notório foi o cancelamento da 11ª edição da Festa Literomusical (FLIM) de São José dos Campos, no ano passado. A prefeitura vetou a participação da jornalista Milly Lacombe, conhecida por suas críticas à estrutura da família tradicional.
Na cena musical, o cantor Johnny Hooker viu shows serem cancelados em Niterói e Boa Vista, após o resgate de um vídeo onde comentava uma peça que retrata Jesus Cristo como uma mulher transexual.
✨ Esses acontecimentos demonstram uma articulação sistemática de grupos de extrema-direita, que visam controlar e censurar a produção cultural.
A cultura sempre desempenhou um papel transformador na sociedade, e as investidas contra ela são um ataque direto à liberdade de expressão. O objetivo de tais movimentos é impor uma 'unicultura', suprimindo vozes que defendem a igualdade, a liberdade sexual e a tolerância.
Esta estratégia busca minar instituições culturais que promovem diversidade e pluralidade, revelando uma tentativa da extrema-direita em centralizar o poder e exercer controle social através da cultura. Essa política cultural precisa ser constantemente debatida e esclarecida.
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Jornalista especializado em Cultura & Entretenimento

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