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Cultura
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Zuzu Angel: A estilista que lutou contra a ditadura até o fim

A trajetória de resistência da estilista no Brasil da repressão

Mariana Souza14 de abril de 2026 às 09:45
Zuzu Angel: A estilista que lutou contra a ditadura até o fim

A estilista Zuzu Angel foi assassinada há 50 anos em um atentado disfarçado de acidente no Rio de Janeiro, uma tragédia que silenciou uma voz importante contra a ditadura militar no Brasil. Aos 53 anos, Zuzu lutava para encontrar seu filho desaparecido, Stuart Edgard Angel, que foi preso e morto pelas forças do regime.

A Influência de Zuzu Angel

Cristina Scheibe Wolff, historiadora da UFSC, destaca a relevância de Zuzu dentro de um movimento mais amplo de mães que transformaram seu sofrimento em ação durante as ditaduras sul-americanas. Esses grupos, incluindo as Mães da Praça de Maio na Argentina, usaram a maternidade como uma forma de protesto, dando voz a desaparecidos e sensibilizando o público.

As mães apresentavam uma visão mais humanizada dos desaparecidos, tornando a ditadura menos aceitável.

Durante as décadas de 1960 e 1970, a resistência à ditadura no Cone Sul foi marcada por questões de gênero. Enquanto a luta armada era frequentemente ligada à masculinidade, os movimentos de direitos humanos enfatizavam a dor e a emoção, características associadas ao papel das mulheres na sociedade. Zuzu, como figura pública, soube aproveitá-las para amplificar suas denúncias.

Tendo sua trajetória reconhecida internacionalmente, Zuzu Angel utilizou a moda para manifestar sua resistência política. Seus desfiles tornaram-se palcos de protesto, incorporando em suas criações símbolos que denunciavam a violência do regime, como bordados de anjos feridos e figuras de crianças.

Uma Vida de Luta

Natural de Curvelo, Minas Gerais, Zuzu se mudou para o Rio de Janeiro em 1939, onde se destacou como estilista ao incorporar elementos da cultura brasileira em suas criações. Seu trabalho tornou-se uma plataforma para disseminar suas denúncias contra a repressão, especialmente após o desaparecimento de seu filho.

Ela buscou apoio fora do Brasil e mobilizou jornalistas para que a situação dos direitos humanos no país fosse exposta, o que consistiu em uma ação corajosa durante um período de censura.

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Desafiar o sistema era considerado uma loucura, mas minha mãe não tinha medo

Hildegard Angel, filha de Zuzu.

Durante muitos anos, a versão oficial da morte de Zuzu foi de um acidente, até que em 2014, a Comissão Nacional da Verdade confirmou o assassinato, reconhecendo assim a violência estatal em sua morte.

Um Legado Duradouro

Zuzu Angel é, até hoje, uma figura emblemática da resistência. Sua trajetória ilustra que as formas de luta contra regimes autoritários não se limitam à ação armada, podendo se manifestar também através da arte e da cultura. Este legado continua a inspirar novas gerações.

Hildegard ressalta diversas conquistas que perpetuam a memória de sua mãe, como a mudança do nome de um túnel para Zuzu Angel e a criação de espaços dedicados à moda e à memória dos direitos humanos.

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