A trajetória de resistência da estilista no Brasil da repressão

A estilista Zuzu Angel foi assassinada há 50 anos em um atentado disfarçado de acidente no Rio de Janeiro, uma tragédia que silenciou uma voz importante contra a ditadura militar no Brasil. Aos 53 anos, Zuzu lutava para encontrar seu filho desaparecido, Stuart Edgard Angel, que foi preso e morto pelas forças do regime.
Cristina Scheibe Wolff, historiadora da UFSC, destaca a relevância de Zuzu dentro de um movimento mais amplo de mães que transformaram seu sofrimento em ação durante as ditaduras sul-americanas. Esses grupos, incluindo as Mães da Praça de Maio na Argentina, usaram a maternidade como uma forma de protesto, dando voz a desaparecidos e sensibilizando o público.
✨ As mães apresentavam uma visão mais humanizada dos desaparecidos, tornando a ditadura menos aceitável.
Durante as décadas de 1960 e 1970, a resistência à ditadura no Cone Sul foi marcada por questões de gênero. Enquanto a luta armada era frequentemente ligada à masculinidade, os movimentos de direitos humanos enfatizavam a dor e a emoção, características associadas ao papel das mulheres na sociedade. Zuzu, como figura pública, soube aproveitá-las para amplificar suas denúncias.
Tendo sua trajetória reconhecida internacionalmente, Zuzu Angel utilizou a moda para manifestar sua resistência política. Seus desfiles tornaram-se palcos de protesto, incorporando em suas criações símbolos que denunciavam a violência do regime, como bordados de anjos feridos e figuras de crianças.
Natural de Curvelo, Minas Gerais, Zuzu se mudou para o Rio de Janeiro em 1939, onde se destacou como estilista ao incorporar elementos da cultura brasileira em suas criações. Seu trabalho tornou-se uma plataforma para disseminar suas denúncias contra a repressão, especialmente após o desaparecimento de seu filho.
Ela buscou apoio fora do Brasil e mobilizou jornalistas para que a situação dos direitos humanos no país fosse exposta, o que consistiu em uma ação corajosa durante um período de censura.
"Desafiar o sistema era considerado uma loucura, mas minha mãe não tinha medo
Durante muitos anos, a versão oficial da morte de Zuzu foi de um acidente, até que em 2014, a Comissão Nacional da Verdade confirmou o assassinato, reconhecendo assim a violência estatal em sua morte.
Zuzu Angel é, até hoje, uma figura emblemática da resistência. Sua trajetória ilustra que as formas de luta contra regimes autoritários não se limitam à ação armada, podendo se manifestar também através da arte e da cultura. Este legado continua a inspirar novas gerações.
Hildegard ressalta diversas conquistas que perpetuam a memória de sua mãe, como a mudança do nome de um túnel para Zuzu Angel e a criação de espaços dedicados à moda e à memória dos direitos humanos.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Jornalista especializado em Cultura & Entretenimento

O jornalista discute a importância da memória sobre a ditadura e a urgência de enfrentar a impunidade dos torturadores.

Emissão da RTÉ também não transmitirá o evento devido à crise em Gaza

A luta contra a banalização da violência e a importância da literatura

Yuval Abraham e Rachel Szor foram ovacionados e criticados por denúncia sobre Gaza.