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Economia
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Brasil tem desemprego em baixa, mas endividamento recorde em 2025

A disparidade entre a economia aquecida e o crescente endividamento familiar.

Gabriel AzevedoAtualizado 18 de junho às 19:10
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Brasil tem desemprego em baixa, mas endividamento recorde em 2025

Em 2025, o Brasil alcançou uma das menores taxas de desemprego da sua história, com 5,6%. Contudo, o cenário é contraditório, pois 79,5% das famílias do país se encontravam em situação de endividamento, o que estabelece um recorde preocupante.

Esse contraste entre um mercado de trabalho robusto e um endividamento crescente não é mero acaso estatístico. É resultado direto de altas taxas de juros e de uma expansão do crédito que favoreceu o consumo imediato em detrimento da geração de renda.

✨ O endividamento das famílias, excluindo a dívida habitacional, alcançou 31,3% da renda anual acumulada até o final de 2025.

O aumento da inadimplência e juros elevados

A inadimplência com cartão de crédito rotativo subiu para alarmantes 64,7% no encerramento do ano, sendo dez pontos percentuais superior ao déficit de janeiro. O juro do rotativo bateu os impressionantes 438% ao ano em dezembro, quase trinta vezes mais que a Selic, a taxa básica definida pelo Banco Central.

Os dados revelam que as famílias estão enfrentando pressões financeiras extremas. Com 29,3% da renda comprometida com o pagamento das dívidas, níveis esses considerados elevados pelo Banco Central, o cartão de crédito se tornou o principal responsável, representando 85,1% do total do endividamento.

O acesso facilitado ao crédito elevou o número de devedores ao rotativo a cada pequeno deslize financeiro, criando um ciclo vicioso que muitos consumidores têm dificuldade para romper.

Histórias de superação e resiliência

Histórias como a de Nilson Madruga, um empresário de Videira, em Santa Catarina, ilustram o impacto desse cenário. Após perder sua loja de produtos de limpeza ao longo de 30 anos de trabalho, ele passou a dormir no carro e enfrentou a dificuldade de conseguir crédito devido à baixa pontuação de crédito. Foi ao encontrar o Banco da Família que conseguiu financiamento por meio de seu único bem, uma moto.

Solice Moroni, uma agricultora no Rio Grande do Sul, também passou por dificuldades semelhantes. Após uma colheita ruim e dívidas em aberto, ela recorreu ao microcrédito, mesmo com o CPF negativado, em busca de uma nova oportunidade para sua produção orgânica.

✨ Os empréstimos de microcrédito orientado são essenciais, mas ainda estão em número muito abaixo da demanda real, segundo a presidente da Abcred, Isabel Baggio.

Contexto do microcrédito no Brasil

Em 2025, o total de operações de microcrédito movimentou mais de 1,9 bilhão de reais. Em comparação, a carteira total de crédito ultrapassou 18 trilhões de reais.

A discussão em torno do endividamento no Brasil se desdobra em duas frentes: a primeira trata da renegociação de dívidas, enquanto a segunda reivindica uma reestruturação na oferta de crédito, priorizando produtos voltados para o desenvolvimento e não apenas para consumo.

Enquanto isso, o Banco Central reconhece que um comprometimento da renda familiar próximo a 30% é prejudicial para a estabilidade do consumo e do crédito. As medidas atuais ainda não demonstraram resultados significativos na redução da inadimplência, evidenciando a necessidade de mudanças estruturais profundas.

Madruga, três anos após iniciar sua luta para renegociar as dívidas, agora vê sua situação com um novo furgão financiado pelo banco que reconheceu seu esforço, destacando a importância de acesso a crédito justo.

Gabriel Azevedo

Jornalista especializado em Economia com mais de 10 anos de experiência. Apaixonado por contar histórias que fazem a diferença.

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