Copom reduz taxa de juros; Federal Reserve mantém juros nos EUA
Decisões econômicas refletem cautela com a inflação e tensões geopolíticas

As mais recentes decisões sobre juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos alinharam-se com as expectativas do mercado, embora os comunicados emitidos tenham evidenciado uma postura cautelosa diante de fatores como a inflação elevada e tensões geopolíticas.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14,75% para 14,50% ao ano. Este é o segundo corte consecutivo desde o início do ciclo em março, mas não houve uma previsão clara sobre os próximos passos do banco central. O comunicado ressaltou a persistente incerteza externa, especialmente devido à duração e implicações dos conflitos no Oriente Médio.
✨ O Boletim Focus indica que a projeção para a Selic em dezembro de 2026 agora é de 13%, superando os 12,50% esperados anteriormente.
Essa revisão reflete a análise de que o choque provocado pelo aumento nos preços do petróleo limita as opções do Banco Central.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve optou por manter as taxas de juros entre 3,50% e 3,75%, marcando a terceira reunião consecutiva sem alterações. Esta decisão foi acompanhada por uma divisão significativa entre os membros do comitê, resultando em 8 votos a favor da manutenção e 4 contra, a maior dissensão registrada desde outubro de 1992.
O comunicado do Fed destacou que os novos desenvolvimentos no Oriente Médio aumentam a incerteza em relação à economia americana, onde a inflação continua elevada, impulsionada principalmente pelos preços globais de energia.
Recentemente, o preço da gasolina atingiu o maior nível em quatro anos, enquanto o índice de preços ao consumidor (CPI) de março cresceu 0,9%, a maior variação desde junho de 2022. O diferencial entre as taxas de juros dos dois países alcançou 10,75 pontos, influenciando diretamente o fluxo de capitais e podendo impactar o valor da moeda.
Após a reunião, o mercado passou a avaliar que a próxima decisão do Fed deverá ser pela manutenção, com uma probabilidade estimada de 94,8%.
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