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Fitch projeta PIB do Brasil em 2,1% para 2026

Crescimento é impulsionado por consumo e reforma tributária

Camila Souza Ramos04 de junho de 2026 às 12:40
Fitch projeta PIB do Brasil em 2,1% para 2026

A Fitch Ratings revisou sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, aumentando-a para 2,1% em 2026, em comparação com a taxa de 1,9% estimada anteriormente em março deste ano. Essa informação foi divulgada no relatório de Perspectiva da Economia Global nesta quinta-feira (4).

Para 2027, no entanto, a agência decidiu reduzir a projeção de crescimento para 1,7%, de 1,8%, devido à expectativa de um menor estímulo fiscal após as eleições. A previsão para 2028 permanece em 2%.

A revisão para 2026 é atribuída ao desempenho robusto da economia no primeiro trimestre.

A Fitch aponta que o consumo no Brasil é mantido por uma taxa de desemprego historicamente baixa e pelos aumentos salariais reais. Além disso, a reforma tributária aprovada em 2025 e o vigoroso desempenho dos setores agrícola e mineral têm contribuído positivamente para a atividade econômica.

Desafios e Incertezas

Para 2027, a agência ressalta a estimativa de um ambiente de transição após as eleições gerais, que está prevista para outubro, e indica uma redução no estímulo fiscal. Também são mencionadas incertezas relacionadas à política interna, os impactos do fenômeno El Niño e as repercussões do aumento nos preços globais de energia devido às tensões no Oriente Médio, resultando em uma postura monetária mais rigorosa no país.

Com relação à inflação, a Fitch projeta uma taxa de 5% ao final de 2026, que ultrapassa o limite de tolerância estabelecido pelo Banco Central, prevendo um retorno gradual para 4% em 2027. Essa avaliação é sustentada pela aceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) e aumento das expectativas inflacionárias.

A expectativa de Selic também foi ajustada para 13% no fim de 2026, acima da previsão anterior de 12%.

De acordo com a Fitch, o real pode apresentar um enfraquecimento gradual em relação ao dólar, refletindo a flexibilização monetária e preocupações com a situação fiscal do Brasil.

Essa realidade macroeconômica é especialmente monitorada pelo agronegócio, já que as taxas de juros, a inflação e a cotação do câmbio impactam o custo do crédito, os preços dos insumos e a competitividade para exportação. Contudo, o relatório não fornece detalhes sobre os efeitos setoriais específicos nas diferentes cadeias produtivas.

A melhoria nas expectativas para 2026 exige atenção contínua aos indicadores de inflação, taxa de juros e política fiscal para os anos seguintes, e a análise do impacto no agronegócio dependerá da evolução desses fatores e suas consequências sobre o financiamento, custos e mercado internacional.

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