Expectativa eleitoral e alívio no cenário externo contribuem para queda

Os juros futuros encerraram a sessão desta terça-feira (20) com queda acentuada, com perdas que ultrapassaram 20 pontos-base nos vencimentos de médio e longo prazo. Essa movimentação foi influenciada pela melhora da confiança dos investidores em relação ao cenário eleitoral de 2026 e pelo alívio externo, refletido na queda dos preços do petróleo e dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Ao final do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 caiu de 12,886% para 12,800%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 12,709% para 12,580%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 passou de 12,789% para 12,650%.
Segundo analistas do mercado, os resultados de enquetes e de tracking privados, divulgados entre segunda e terça-feira, reforçaram a perspectiva favorável a Flávio Bolsonaro na disputa do segundo turno, que ocorrerá no próximo domingo (25). A expectativa de uma possível mudança de poder em 2027 diminui a percepção de risco em relação à política fiscal.
✨ Pesquisas como a do Real Time Big Data indicaram Flávio com 52% das intenções de voto, contra 48% de Lula, indicando empate técnico.
O ambiente externo também exerceu influência sobre a queda nas taxas, com informações sobre uma possível retomada de diálogos diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, que ajudaram a animar as bolsas globais e pressionaram o petróleo para baixo. O preço do barril do Brent, que havia chegado a US$ 112, encerrou o dia com queda de 0,69%, a US$ 108,79. Essa reversão aconteceu após reportagens da mídia israelense sobre uma proposta mediada pelo Paquistão e Catar, recebendo aprovação dos EUA e aceitação preliminar do Irã.
Conforme Vitor Kayo, economista da Nomad, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos também apresentaram recuo, motivado por dados menos robustos do mercado imobiliário norte-americano e pela diminuição das expectativas de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed). Em suma, a combinação de notícias eleitorais e alívio nas condições externas foram determinantes para a queda na curva de juros nesta terça-feira.
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Jornalista especializado em Economia

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