Proibição da queima da cana em SP transforma economia e emprego
Estudo revela impactos econômicos e sociais significativos desde 2002.

A proibição da queima da palha de cana-de-açúcar em São Paulo, instaurada em 2002, gerou profundas mudanças no setor agrícola e na economia do estado. Um estudo realizado por especialistas da Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade analisou as repercussões da medida que, embora tenha sido motivada por questões ambientais, trouxe significativos efeitos econômicos.
Mudanças no Mercado de Trabalho
Antes da proibição, a colheita da cana rely estava atrelada ao método de queima e ao trabalho manual de safristas. Com a nova legislação, a colheita mecanizada se tornou essencial, fazendo com que a tecnologia avançasse rapidamente e a mecanização saltasse para mais de 60% da área colhida até 2012. Esse processo resultou em uma perda significativa de empregos agrícolas, mas não afetou negativamente a situação financeira dos trabalhadores. Segundo o economista Francisco Costa, muitos trabalhadores foram absorvidos pela crescente indústria de processamento de açúcar e etanol.
"Os dados mostram que os trabalhadores deslocados foram majoritariamente absorvidos pela indústria de processamento de açúcar e etanol, que cresceu em paralelo à mecanização.
✨ A mecanização foi responsável por 77% da queda do emprego agrícola entre 2000 e 2010.
Além disso, a transição também trouxe benefícios para o setor industrial, onde o emprego aumentou consideravelmente nas regiões produtoras de cana. Para as mulheres, a migração foi mais direcionada para os serviços, mudando o perfil do mercado de trabalho.
Consequências Econômicas Significativas
Os especialistas destacam que os avanços econômicos e sociais foram notáveis. Nos municípios que implementaram a mecanização, a renda familiar per capita cresceu cerca de 6%, resultando em uma diminuição de 24% na taxa de desemprego e uma redução de 13% nas taxas de pobreza. O estudo ainda aponta a diminuição do trabalho infantil, com uma queda de quase 10% na participação de crianças de 10 a 15 anos no mercado de trabalho devido à proibição das queimadas.
"Os resultados desafiam a visão tradicional de que políticas ambientais representam um entrave ao crescimento. A proibição de queimadas atuou como um catalisador da modernização econômica.
✨ Mais de nove milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser emitidas pelo setor sucroenergético após a proibição.
Contexto Adicional
O estudo avaliou 393 municípios paulistas entre 2000 e 2010, utilizando dados de satélite sobre a colheita mecanizada e microdados do censo para entender os impactos causados pela legislação.
José Guilherme Nogueira, CEO da Orplana, enfatiza que os benefícios observados refletem a eficácia da prática em modernizar a colheita, melhorando a segurança e reduzindo os custos operacionais. Ele também aponta que a qualidade do ar melhorou significativamente após a proibição, com a diminuição da fuligem e outros poluentes.
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