Queda na receita de encomendas internacionais dos Correios chega a 65%
Participação das receitas com encomendas internacionais despenca após mudanças legislativas

As receitas provenientes da distribuição de encomendas internacionais pelos Correios caíram significativamente, passando de 22% em 2023 para apenas 7,8% em 2025, conforme as demonstrações financeiras divulgadas na quinta-feira (24) no Diário Oficial da União.
Essa queda drástica está atrelada ao lançamento do programa 'Remessa Conforme', promovido pelo Ministério da Fazenda, que pôs fim ao monopólio da empresa na entrega de encomendas internacionais no Brasil, impactando negativamente a receita da estatal nos últimos dois anos.
✨ Em 2024, a receita com encomendas internacionais foi de R$ 3,9 bilhões, caindo para R$ 1,3 bilhão em 2025, marcando uma redução de R$ 2,6 bilhões.
Um relatório da Diretoria Econômico-Financeira dos Correios destaca que a implementação do programa 'Remessa Conforme' expôs as dificuldades financeiras da empresa. "A redução da participação no mercado de encomendas internacionais, que até agosto de 2024 era quase um monopólio, revelou a falta de um reposicionamento estratégico da empresa frente às mudanças no comportamento do consumidor", disse Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo, diretora da instituição.
O impacto da 'taxa das blusinhas', um imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, tornou-se um fator determinante para a diminuição das receitas, anteriormente isentas, moldando uma nova dinâmica no setor de transporte de mercadorias.
Contexto
O programa 'Remessa Conforme' permitiu que empresas de transporte possam realizar o frete das mercadorias internacionais, diminuindo a dependência dos Correios para a entrega de encomendas, o que gerou um prejuízo estimado de R$ 2,2 bilhões.
Dados internos revelam que, entre janeiro e setembro de 2025, o volume de encomendas internacionais despencou em cerca de 110 milhões de pacotes, mostrando um total de 149 milhões de envios no ano passado, em comparação a apenas 41 milhões no mesmo intervalo de 2025.
A redução na receita gerou um ciclo vicioso de prejuízos para os Correios, que enfrentam dificuldades de qualidade operacional, comprometendo a geração de caixa e a manutenção das obrigações financeiras. "A perda de clientes e receitas, devido a serviços insatisfatórios, se tornou um problema recorrente", destacou Bezerra de Macedo.
Diante desse cenário, as negociações com grandes clientes, que representam mais de 50% da receita de vendas da estatal, tornaram-se cada vez mais frágeis, afetando as expectativas de resultados positivos da empresa.
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