Setor produtivo apprehensive com deterioração macroeconômica
Análise aponta impactos diretos da inflação e juros elevados no agronegócio.

Os indicadores econômicos brasileiros continuam a preocupar o setor produtivo, caracterizado por altas taxas de juros, uma inflação persistente e um agravamento nas contas públicas. A avaliação é de Claudio Brisolara, especialista em agronegócio, que analisou a edição nº 27 do Radar Macroeconômico do Sistema Faesp/Senar.
O relatório destaca uma deterioração no cenário econômico em março, com impactos diretos nas atividades e no agronegócio. O governo central apresentou um déficit primário de R$ 74,8 bilhões no mês, resultado da postura expansionista da política fiscal, que elevou a dívida bruta a 80% do PIB, aumentando a percepção de desequilíbrio nas contas públicas.
✨ O IPCA acumulado atingiu 4,39%, mantendo a inflação em níveis desconfortáveis e exigindo uma política monetária mais rigorosa.
Com essa situação, o Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 14,5% ao ano, o que torna o crédito mais caro e dificulta a capacidade de investimentos de empresas e consumidores. Essa condição é especialmente crítica para o agronegócio, uma vez que os altos juros e os custos financeiros elevados limitam o planejamento da produção e pressionam as margens de lucro.
O Radar Macroeconômico também revelou uma retração de 0,7% no IBC-Br em março, sinalizando uma desaceleração da economia. No trimestre, apenas a agropecuária sofreu queda, de 0,5%.
"O descompasso fiscal afeta toda a economia, aumentando os obstáculos para o setor produtivo – Claudio Brisolara.
Brisolara alerta que a falta de responsabilidade fiscal pode prolongar o ciclo de juros altos e esconder os desafios ao crescimento do país. O agronegócio, visto como um dos pilares da economia brasileira, deve enfrentar sérias consequências se não houver avanços nas reformas das contas públicas.
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