Tarifas dos EUA ameaçam exportações brasileiras de imediato
Anúncio de tarifas gera incertezas no comércio exterior brasileiro

O anúncio feito pelos Estados Unidos sobre a possibilidade de tarifas adicionais de 25% a produtos brasileiros pode impactar imediatamente os exportadores do Brasil, segundo Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do país.
Barral, que é também sócio da consultoria BMJ, comenta que, embora a recomendação do escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) ainda não seja uma ação oficial, a mera ameaça de novas tarifas está alterando a dinâmica do mercado de exportações.
Comércio sob pressão
Ele observou que muitos exportadores estão hesitando em realizar negócios enquanto aguardam uma definição, temendo ser impactados por tarifas mais altas no futuro. 'A situação está tão incerta que os produtores estão considerando esperar para evitar perdas', afirmou Barral.
✨ A proposta sugere uma tarifa de 25% com exceções, mas pode elevar o custo de produtos brasileiros a 35%.
A análise sobre o impacto desse cenário foi corroborada por Guilherme Klein Martins, economista da Universidade de Leeds, que ressaltou que a declaração dos EUA sobre organizações criminosas brasileiras, associando-as a terrorismo, adiciona um nível extra de incertidão para investidores internacionais.
Base da investigação comercial
A investigação que resultou nesta recomendação foi iniciada em julho do ano passado, utilizando a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA investigar práticas comerciais consideradas injustas. A divulgação aponta que o Brasil aplicou políticas desfavoráveis às empresas americanas, favorecendo seu sistema de pagamentos nacional, o Pix.
"As conclusões foram superficiais e não consideraram a realidade do desmatamento e das relações comerciais do Brasil com outros países
Barral criticou a forma como a investigação tratou as argumentações brasileiras, afirmando que as conclusões ignoram sucessos do Brasil em relação ao desmatamento e não tomam em conta a importância do país como fornecedor estratégico para os EUA.
Possíveis retaliações brasileiras
Se não houver um avanço nas negociações em até 30 dias, Barral prevê que o Brasil possa ativar a Lei de Reciprocidade, resultando em tarifas contra produtos dos EUA, além de possíveis punições a empresas e à propriedade intelectual.
Essa lei foi criada para permitir que países respondam a ações unilaterais de outros, após a imposição de tarifas americanas anteriores. Assim, um novo capítulo nas relações comerciais entre Brasil e EUA pode estar prestes a ser escrito.
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