Levantamento aponta que meninos são os mais propensos a realizar apostas online.

Um em cada cinco estudantes brasileiros já participou de apostas em plataformas esportivas, conforme um levantamento feito pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com a Equidade.info. A pesquisa, que envolveu 1912 alunos de 191 escolas de ensino básico no Brasil, foi realizada por meio de entrevistas presenciais e questionários estruturados entre agosto e setembro de 2026.
Os dados revelam um perfil dos estudantes que apostam online: majoritariamente meninos, frequentando o Ensino Médio, de famílias com alguma disponibilidade financeira, cujo pais não cursaram Ensino Superior. Dentro do Ensino Médio, a porcentagem de estudantes com experiência em apostas atinge 33%, aumentando para 32,3% aos 17 anos e 40% entre aqueles com 18 anos ou mais. Curiosamente, 9,5% dos alunos de 11 anos também relataram ter apostado, mesmo com a proibição de uso das plataformas para menores de idade.
✨ O estudo revela que 27,8% dos meninos e 12,6% das meninas já realizaram apostas online, evidenciando uma distinção de gênero.
O estudo também destacou que 20,4% dos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio têm experiência com apostas. A disparidade entre gêneros se acentua ao longo da trajetória escolar, com 41,7% dos meninos do Ensino Médio relatando já ter apostado, comparado a apenas 19% entre alunos do Fundamental II. No 3º ano do Ensino Médio, 49,7% dos meninos afirmam ter apostado online, enquanto a proporção para meninas se mantém em aproximadamente 13%.
Em termos de contexto familiar, os estudantes mais vulneráveis em relação às apostas são aqueles que vivem em lares com maior quantidade de bens e pais sem ensino superior. Além disso, o estudo alertou para o fato de que parte dos alunos tem dificuldade em avaliar seus resultados financeiros nas apostas: quatro em cada dez não sabem dizer se ganharam ou perderam dinheiro.
Os pesquisadores afirmam que as perdas podem ultrapassar 1 bilhão de reais entre os entrevistados, com base em estimativas do Banco Central. A pesquisa recomenda a adoção de medidas de proteção, como maior tributação sobre as transações de apostas, restrições publicitárias e proteções específicas para menores de idade.
Guilherme Lichand, professor de educação da Universidade de Stanford e supervisor do estudo, ressaltou a importância de tratar a questão das apostas de forma sistêmica, ao invés de focar apenas no indivíduo. 'A proibição de publicidade e a aplicação de impostos adequados sobre transações podem atribuir responsabilidade aos envolvidos e efetivamente reduzir o risco de exposição', concluiu.
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Jornalista especializado em Educação

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