Atlas desiste de investir R$ 5 bilhões em energia renovável no Brasil
Corte de geração causa impacto em projetos de energia limpa.

A Atlas Renewable Energy, uma das principais geradoras de energia limpa da América do Sul, anunciou a suspensão de seus planos de investimentos no Brasil, que somavam até US$ 1 bilhão, devido à crescente rejeição de energia renovável no sistema elétrico do país.
Carlos Barrera, presidente-executivo da Atlas, destacou que o corte na geração de energia nas usinas da empresa tem alcançado entre 15% a 25% no último trimestre. Esse processo, conhecido como 'curtailment', refere-se à energia solar ou eólica que poderia ter sido gerada, mas foi evitada por conta dos limites da rede elétrica.
✨ Mais de 1.5 gigawatt de energia ficaram parados no Brasil, com construção prevista que agora está suspensa.
Apesar do interesse crescente de outros países em integrar fontes renováveis para evitar desabastecimentos, os cortes em diversas nações, incluindo Brasil, Austrália, Japão e Chile, permanecem um obstáculo significativo.
Desafios do Mercado de Energia Renovável
Empresas brasileiras que enfrentam rejeição de produção pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) se veem obrigadas a negociar energia adicional a um custo mais elevado. Barrera ressaltou que esse cenário resulta em dificuldades, já que as empresas gastam duas vezes mais para atender suas obrigações contratuais.
A Fitch Ratings, no último mês, revisou as perspectivas financeiras de 11 projetos de energia renovável no Brasil, indicando que a rejeição de energia deve persistir até 2030, prejudicando a liquidez e o fluxo de caixa das iniciativas.
Expectativas do Setor
Barrera não acredita que mudanças no sistema atual sejam implementadas antes de 2028, considerando as próximas eleições. Contudo, ele projeta uma diminuição gradual nos cortes à medida que a adição de capacidade solar desacelere e a demanda aumente.
A falta de infraestrutura, especialmente linhas de transmissão que suportem a expansão das energias renováveis, tem levado a cortes de operações e demissões no setor. Barrera conclui que o verdadeiro desafio reside no excesso de capacidade de energia solar, o que resultará em cortes independentemente de melhorias na transmissão.
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