Brasil contesta tarifas dos EUA e enfrenta superávit comercial
O governo brasileiro rejeita nova tarifa de 12,5% e busca reciprocidade.

O governo federal brasileiro rechaçou a recente decisão dos Estados Unidos de impôr uma tarifa adicional de 12,5% sobre as exportações do Brasil, destacando um histórico de desigualdade comercial. Ao longo de 40 anos, o Brasil teve um déficit comercial acumulado de 144 bilhões de dólares com os EUA, refletindo um saldo positivo para Washington em 26 dos 41 anos analisados.
Embora entre 2000 e 2025 os EUA tenham lucrado 480 bilhões de dólares com o Brasil, as novas tarifas foram justificadas por supostas falhas no combate ao trabalho escravo no país. O indicado para a embaixada dos EUA em Brasília, Daniel Perez, reconheceu a questão do superávit americano, mas não ofereceu justificativas para essas sanções.
Oposição às sanções e suas consequências
Durante uma audiência no Senado americano, Perez admitiu que precisará de mais informações sobre a tarifa, que foi imposta quando ele ainda não estava no cargo. Por outro lado, Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA, minimizou a questão do superávit, citando barreiras comerciais que ainda oneram a economia estadunidense.
✨ O Brasil, mesmo sendo um crucial fornecedor para o mercado americano, enfrenta tarifas que o colocam como o segundo parceiro comercial mais taxado pelos EUA, perdendo apenas para a China.
Contexto do Comércio Brasil-EUA
Entre 1985 e 1995, o Brasil teve momentos de superávit nas trocas comerciais. A partir de 2008, a tendência se inverteu, e desde então, os Estados Unidos registram saldo positivo com o Brasil, alcançando até 16,5 bilhões de dólares em 2014.
É importante lembrar que a balança comercial não se resume apenas a números, mas também envolve as dinâmicas de poder dentro do comércio global. O economista Tomás Marques destaca que tais tarifas são utilizadas para reorientar as correntes comerciais e revitalizar a competitividade dos EUA em um cenário cada vez mais desafiador.
Entre os produtos afetados pelas novas tarifas estão etanol e automóveis, com o USTR apontando a quebra de acordos comerciais que beneficiam outros países, como México e Índia. O etanol, em particular, tem sido um ponto focal das tensões comerciais, com o governo americano buscando reaver participação de mercado perdidas nos últimos anos.
Os analistas apontam que, embora o Brasil tenha um nível de vulnerabilidade nas negociações, o impacto das sanções também é significativo para os interesses e competitividade dos EUA, levando a uma complexa teia de interdependência entre as duas economias.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Internacional

Embaixador israelense alerta sobre riscos ao acordo de paz com Líbano
Yechiel Leiter destaca influência do Irã e do Hezbollah nas negociações.

Lula expressa preocupação com falta de eleições na Nicarágua
Brasil pede garantias de eleições livres no país centro-americano

Ministro da Defesa do Brasil encontra presidente da Venezuela após terremoto
Reunião ocorre às 14h para discutir ajuda humanitária.

União Europeia aposta no Brasil para suprimento de terras raras
Visita de Jozef Síkela à mineradora evidencia parceria estratégica.





