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Justiça
3 min de leitura

Imigrantes cubanos deportados enfrentam limbo jurídico no México

Relatório da Human Rights Watch revela desafios enfrentados após deportação

Mariana Souza27 de maio de 2026 às 17:20
Imigrantes cubanos deportados enfrentam limbo jurídico no México

Milhares de imigrantes cubanos deportados dos Estados Unidos estão enfrentando sérias violações de direitos humanos e vivem um 'limbo jurídico' no México. Um novo relatório da Human Rights Watch (HRW) destaca que eles enfrentam dificuldades em regularizar sua situação e acessar atendimento médico.

Contexto sobre deportações

O relatório, divulgado na quarta-feira (27), analisa dados de deportações entre janeiro de 2025 e março de 2026 e inclui entrevistas com autoridades e deportados. A pesquisa revela que, desde o governo do ex-presidente Donald Trump, houve um aumento nas deportações, com o México recebendo o maior número de imigrantes de várias nacionalidades.

Cuba lidera o grupo de deportações para o México, com 4.353 indivíduos afetados.

A HRW entrevistou 41 deportados cubanos, muitos dos quais viveram nos EUA por períodos de até quatro décadas. Essas pessoas indicaram que foram apreendidas durante a supervisão de imigração, em suas residências ou no local de trabalho. Os dados apontam que a maioria dos entrevistados perdeu seus green cards devido a condenações por infrações consideradas menores.

Condições desumanas de detenção

Os integrantes do relatório denunciaram a deterioração das condições nos centros de detenção. Por exemplo, Fermín, um cubano de 52 anos, relatou problemas severos de higiene e saúde em um local na Florida, conhecidos por condições desumanas. Outros depoimentos mencionaram episódios de violência e longos períodos de isolamento.

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Passei 15 dias detido no buraco, uma cela de punição, onde você não vê a luz do sol

Alejo, 50 anos.

Desafios enfrentados no México

Após a deportação, os cubanos chegam a cidades como Tapachula e Villahermosa, onde enfrentam inúmeras barreiras para regularizar seu status devido à falta de documentos. Para muitos, a única alternativa viável é solicitar asilo, um processo que se mostra cada vez mais lento e complicado.

Cidadãos cubanos enfrentam também um risco crescente de violência de grupos criminosos nas regiões onde se encontram.

Dificuldades de acesso à saúde

Os deportados frequentemente não conseguem tratamento médico adequado por não possuírem um CURP, um código necessário para o acesso à saúde no México.

A HRW ressalta que, ao não garantir a esses imigrantes acesso ao asilo e à residência permanente, o México perpetua a situação de 'limbo jurídico' em que se encontram. Além disso, muitos acreditam que o retorno a Cuba é uma possibilidade remota, pois o governo cubano se recusa a aceitar deportados que estiveram fora do país por longos períodos.

O lançamento do relatório coincide com a intensificação das tensões entre os EUA e Cuba, especialmente após a recente acusação criminal contra Raúl Castro.

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