Investigação da PF examina emendas do ITT e sua origem suspeita
Instituto Terra e Trabalho é alvo de inquérito por possíveis crimes financeiros

A Polícia Federal está conduzindo uma investigação que apura o uso de emendas parlamentares pelo Instituto Terra e Trabalho (ITT), suspeito de camuflar a origem de recursos ilícitos provenientes de descontos indevidos em aposentadorias, cobrados pela Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores (Conafer).
De acordo com o inquérito enviado ao Supremo Tribunal Federal na última sexta-feira, o delegado Cassio Galhardo de Castro Silva encontrou indícios de que o ITT foi criado para captar verbas públicas, desviar esses recursos e lavá-los através de empresas de fachada. Entre 2017 e 2025, o instituto recebeu mais de 29 milhões de reais por meio de emendas e convênios federais com órgãos como o Incra e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
✨ Os investigadores identificaram que 13 milhões de reais desse total foram oriundos de emendas, 3,18 milhões dos quais transferidos diretamente para empresas ligadas aos envolvidos no esquema.
Parlamentares envolvidos e a extensão das emendas
O inquérito menciona vários parlamentares que destinaram emendas ao ITT, entre eles os deputados federais Eros Biondini (PL-MG) e Hélio Lopes (PL-RJ), além dos ex-deputados Euclydes Pettersen (Republicanos) e Flávia Arruda (PL), e da senadora Leila Barros (PDT-DF) e a deputada Jandira Feghali (PCdoB-PR). Até o momento, apenas Euclydes Pettersen foi indiciado.
A PF o alude como 'Herói E' em documentos apreendidos, ligando-o a emendas que totalizam 2,5 milhões de reais destinadas à Conafer. Além disso, registros em celulares de assessores confirmam seu envolvimento financeiro com a entidade.
O deputado Eros Biondini, por sua vez, é mencionado em comunicações entre associados do ITT, evidenciando que sua filha recebeu 10 mil reais mensais da Conafer, o que serve como possível material de chantagem contra ele. Essa relação está associada a uma emenda de 5 milhões de reais que ele alocou ao ITT.
A investigação também apura Hélio Lopes, cujas emendas, totalizando 1,25 milhão de reais, foram acessadas por um infiltrado que monitorava o sistema governamental. Leila Barros e Jandira Feghali contribuíram com emendas de 300 mil e 100 mil reais, respectivamente.
Próximos passos da investigação
O inquérito agora se expande não apenas para o ITT e seus vínculos com a Conafer, mas também para investigar atos de ocultação patrimonial, crimes de financiamento fraudulento e possíveis práticas de advocacia administrativa, especialmente em relação ao deputado Fausto Pinato (PP-SP), que tentava desbloquear contas da Conafer judicialmente.
Tentamos contato com os parlamentares mencionados pela PF, mas ainda aguardamos resposta.
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