Voltar
Justiça
2 min de leitura

Investigação da PF examina emendas do ITT e sua origem suspeita

Instituto Terra e Trabalho é alvo de inquérito por possíveis crimes financeiros

Gabriel Rodrigues15 de julho de 2026 às 21:10
Investigação da PF examina emendas do ITT e sua origem suspeita

A Polícia Federal está conduzindo uma investigação que apura o uso de emendas parlamentares pelo Instituto Terra e Trabalho (ITT), suspeito de camuflar a origem de recursos ilícitos provenientes de descontos indevidos em aposentadorias, cobrados pela Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores (Conafer).

De acordo com o inquérito enviado ao Supremo Tribunal Federal na última sexta-feira, o delegado Cassio Galhardo de Castro Silva encontrou indícios de que o ITT foi criado para captar verbas públicas, desviar esses recursos e lavá-los através de empresas de fachada. Entre 2017 e 2025, o instituto recebeu mais de 29 milhões de reais por meio de emendas e convênios federais com órgãos como o Incra e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

Os investigadores identificaram que 13 milhões de reais desse total foram oriundos de emendas, 3,18 milhões dos quais transferidos diretamente para empresas ligadas aos envolvidos no esquema.

Parlamentares envolvidos e a extensão das emendas

O inquérito menciona vários parlamentares que destinaram emendas ao ITT, entre eles os deputados federais Eros Biondini (PL-MG) e Hélio Lopes (PL-RJ), além dos ex-deputados Euclydes Pettersen (Republicanos) e Flávia Arruda (PL), e da senadora Leila Barros (PDT-DF) e a deputada Jandira Feghali (PCdoB-PR). Até o momento, apenas Euclydes Pettersen foi indiciado.

A PF o alude como 'Herói E' em documentos apreendidos, ligando-o a emendas que totalizam 2,5 milhões de reais destinadas à Conafer. Além disso, registros em celulares de assessores confirmam seu envolvimento financeiro com a entidade.

O deputado Eros Biondini, por sua vez, é mencionado em comunicações entre associados do ITT, evidenciando que sua filha recebeu 10 mil reais mensais da Conafer, o que serve como possível material de chantagem contra ele. Essa relação está associada a uma emenda de 5 milhões de reais que ele alocou ao ITT.

A investigação também apura Hélio Lopes, cujas emendas, totalizando 1,25 milhão de reais, foram acessadas por um infiltrado que monitorava o sistema governamental. Leila Barros e Jandira Feghali contribuíram com emendas de 300 mil e 100 mil reais, respectivamente.

Próximos passos da investigação

O inquérito agora se expande não apenas para o ITT e seus vínculos com a Conafer, mas também para investigar atos de ocultação patrimonial, crimes de financiamento fraudulento e possíveis práticas de advocacia administrativa, especialmente em relação ao deputado Fausto Pinato (PP-SP), que tentava desbloquear contas da Conafer judicialmente.

Tentamos contato com os parlamentares mencionados pela PF, mas ainda aguardamos resposta.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de Justiça