Cesar Augusto Borges de Andrade é investigado por decisão de remover foto de líder do Candomblé.

O juiz Cesar Augusto Borges de Andrade, do Tribunal de Justiça da Bahia, está sob investigação por racismo religioso, após uma decisão que resultou na retirada de uma fotografia relacionada ao Candomblé de uma exposição no Fórum de Camaçari. O procedimento administrativo disciplinar foi oficialmente iniciado na última quinta-feira, 26.
A fotografia removida mostrava Solange Borges, uma destacada chef de cozinha e líder do terreiro Unzonganga. Andrade justifica sua ação ao alegar que a exibição de uma "personagem vinculada a religião de matriz africana" não se adequa às instalações do prédio público, enquanto outras referências religiosas, como uma imagem católica, permaneceram.
✨ A Corregedoria do tribunal identificou indícios de racismo religioso institucional e usou depoimentos que contradizem a versão do juiz.
Em março, o presidente do TJ baiano havia determinado a reinstalação da foto no acervo do fórum. Em resposta à Corregedoria, o juiz alegou que não foi responsável pela remoção, atribuindo a decisão a uma escolha administrativa do diretor do espaço.
O caso veio à tona a partir de reclamações feitas pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) e pela própria Solange Borges, levantando questões sobre discriminação religiosa e a laicidade do Estado.
Acorre, segundo documento da Corregedoria, um conjunto significativo de indícios que apontam para um possível racismo institucional, incluindo relatos de pressão sobre a administradora do fórum antes da deliberação e expressões verbais com insinuativa discriminatória.
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