Movimento Evangélicas Pela Igualdade de Gênero enfrenta violência doméstica no Brasil
53% das brasileiras recorrem à igreja após agressões, mas líderes religiosas buscam mudar essa realidade.

O versículo de Provérbios que menciona que a mulher sábia edifica o lar, enquanto a insensata o destrói, frequentemente surge nas discussões sobre violência doméstica dentro das comunidades cristãs. Uma pesquisa do Instituto DataSenado revela que 53% das brasileiras buscam apoio em igrejas após sofrerem abusos por parte de parceiros, e esse número sobe para 69% entre as mulheres evangélicas.
O papel das igrejas e as limitações do apoio
Embora as instituições religiosas desempenhem um papel importante como um primeiro ponto de apoio, muitas vezes, as orientações dadas às vítimas falham em encaminhá-las a serviços de proteção, preferindo sugerir uma melhora no relacionamento por meio da oração. Especialistas apontam que essa abordagem transfere a culpa para as mulheres que sofrem violência.
"“Há uma instrumentalização da fé para legitimar violências, inclusive contra meninas, idosos ou animais. Não é só fé, é uma questão ideológica.”
✨ O movimento Evangélicas Pela Igualdade de Gênero busca capacitar líderes religiosos para encorajar a denúncia de abusos.
Contexto
Valéria Vilhena, fundadora do movimento, destaca a necessidade de uma interpretação mais justa dos textos bíblicos, evitando leituras que promovam o machismo.
Com o surgimento do movimento em 2016, a ideia é promover uma teologia que valorize a igualdade e a emancipação das mulheres. Para Vilhena, o apoio das lideranças na preservação de narrativas bíblicas equitativas é crucial.
- 1Oficinas sobre masculinidade tóxica.
- 2Cursos para líderes religiosos sobre escuta ativa.
- 3Cartilhas educativas para evangélicos.
As estatísticas são alarmantes: 42% das evangélicas já enfrentaram algum tipo de violência de seus companheiros, e 39% relataram episódios de violência doméstica no último ano.
"“Acolhimento não é o pastor derramar versículos e mandar a mulher orar mais, é acompanhá-la na delegacia.”
A ministra da Mulher, Márcia Lopes, está atenta a essa questão e busca garantir que todas as religiões sejam respeitadas enquanto se trabalha para melhorar as condições para as mulheres em situações de vulnerabilidade. Assim, o movimento se consolida como uma luz de esperança em um cenário que ainda precisa de muita transformação.
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