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Justiça
2 min de leitura

Promessas de inclusão no trabalho para deficientes esbarram em barreiras

Dados de 2025 revelam estagnação de carreiras entre pessoas com deficiência

Gabriel Azevedo11 de maio de 2026 às 09:05
Promessas de inclusão no trabalho para deficientes esbarram em barreiras

A integração de pessoas com deficiência no mercado de trabalho brasileiro, promovida pela Lei de Cotas, enfrenta desafios significativos, conforme demonstram os dados de 2025. Apesar do avanço no acesso, 67% dessas pessoas ainda não conseguiram uma promoção em seus cargos atuais.

Esses dados foram extraídos do relatório Radar da Inclusão 2025, desenvolvido pela consultoria Talento Incluir em colaboração com o Pacto Global da ONU no Brasil e o Instituto Locomotiva. Comparando com o estudo de 2024, houve um aumento de quatro pontos percentuais nessa estatística alarmante.

41% dos trabalhadores com deficiência estão na mesma empresa há mais de três anos, porém, essa permanência não resulta em promoção.

Desafios além da contratação

A Lei de Cotas exige que empresas com mais de 100 colaboradores reservem de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência. Embora tenha facilitado o acesso a empregos formais, isso não garantiu oportunidades de crescimento dentro das organizações.

De acordo com a mesma pesquisa, 76% dos entrevistados com deficiência relatam ter se sentido prejudicados no ambiente de trabalho e 56% afirmam ter enfrentado falta de inclusão que impactou seu desempenho e bem-estar.

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A inclusão não pode se limitar à contratação. As empresas precisam criar caminhos para o desenvolvimento e a ascensão profissional das pessoas com deficiência, garantindo acesso às mesmas oportunidades de crescimento.

Monica Lupatin, diretora do ICOM.

Tecnologia assistiva: um recurso essencial

Outro ponto crítico identificado na pesquisa é a falta de tecnologias acessíveis nas rotinas de trabalho. Reuniões e treinamentos muitas vezes ocorrem sem recursos de acessibilidade, excluindo profissionais surdos de interações cruciais.

Para promover a inclusão, algumas empresas têm adotado plataformas de interpretação simultânea em Libras, desenvolvidas por organizações como o ICOM, permitindo que surdos participem ativamente das discussões. A acessibilidade se torna parte integrante da cultura organizacional, segundo Monica.

Transformando a inclusão em uma rotina diária

A executiva defende que o progresso na inclusão de pessoas com deficiência depende de uma mudança de mentalidade nas organizações. A acessibilidade deve ser vista não apenas como um cumprimento legal, mas como elemento fundamental para ambientes de trabalho mais diversificados e inovadores.

A verdadeira inclusão deve ser avaliada não apenas pela quantidade de contratações, mas sim pela qualidade das oportunidades e condições oferecidas para garantir que essas pessoas possam crescer, participar e sentir que pertencem às suas empresas.

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