Funcionária doméstica em Fortaleza não recebeu salário durante décadas

Uma mulher de 62 anos foi resgatada em Fortaleza, no Ceará, após passar impressionantes 55 anos em condições de trabalho análogas à escravidão. A funcionária doméstica, que começou a trabalhar para a mesma família aos sete anos, não recebeu remuneração ou qualquer forma de descanso em todo esse tempo.
De acordo com a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a mulher prestou serviços para três gerações da mesma família, realizando atividades enquanto as crianças da casa tinham acesso à educação formal. Sua história começa em 1971 quando ela e a irmã passaram a cuidar do lar.
✨ Durante cinco décadas, a trabalhadora não teve acesso a salário, educação ou autonomia financeira.
Após a morte de sua mãe, ela foi entregue a uma das filhas da antiga empregadora. Em 1982, mudou-se para a nova residência da família, onde cuidou dos filhos do casal, seguindo nessa rotina por mais de trinta anos. Em 2014, ela começou a cuidar da geração seguinte, perpetuando seu papel sem qualquer forma de compensação financeira.
A inspeção apontou que, mesmo com problemas de saúde, como hipertensão, a mulher trabalhava incansavelmente. Com um dia que começava às 4h30, ela realizava tarefas como cozinhar e limpar, ao mesmo tempo em que cuidava das crianças da casa.
A situação dela foi descoberta em junho de 2026, quando a fiscalização, que envolveu o MTE, o MPT (Ministério Público do Trabalho), a PF (Polícia Federal) e uma equipe psicossocial, resgatou a funcionária no início de julho.
Os empregadores, ao serem citados, reconheceram o vínculo apenas a partir de 2014. Porém, a Auditoria-Fiscal do Trabalho estimou que os créditos trabalhistas do total de salários não pagos e demais benefícios podem ultrapassar R$ 1,5 milhão.
Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi firmado, garantindo à trabalhadora R$ 50 mil em verbas rescisórias, além de um imóvel no valor de pelo menos R$ 150 mil e contribuições previdenciárias até sua aposentadoria.
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