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Justiça
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Trabalhadora de 62 anos resgatada após 55 anos em trabalho escravo

Funcionária doméstica em Fortaleza não recebeu salário durante décadas

Gabriel Rodrigues13 de julho de 2026 às 10:45
Trabalhadora de 62 anos resgatada após 55 anos em trabalho escravo

Uma mulher de 62 anos foi resgatada em Fortaleza, no Ceará, após passar impressionantes 55 anos em condições de trabalho análogas à escravidão. A funcionária doméstica, que começou a trabalhar para a mesma família aos sete anos, não recebeu remuneração ou qualquer forma de descanso em todo esse tempo.

De acordo com a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a mulher prestou serviços para três gerações da mesma família, realizando atividades enquanto as crianças da casa tinham acesso à educação formal. Sua história começa em 1971 quando ela e a irmã passaram a cuidar do lar.

Durante cinco décadas, a trabalhadora não teve acesso a salário, educação ou autonomia financeira.

Após a morte de sua mãe, ela foi entregue a uma das filhas da antiga empregadora. Em 1982, mudou-se para a nova residência da família, onde cuidou dos filhos do casal, seguindo nessa rotina por mais de trinta anos. Em 2014, ela começou a cuidar da geração seguinte, perpetuando seu papel sem qualquer forma de compensação financeira.

A inspeção apontou que, mesmo com problemas de saúde, como hipertensão, a mulher trabalhava incansavelmente. Com um dia que começava às 4h30, ela realizava tarefas como cozinhar e limpar, ao mesmo tempo em que cuidava das crianças da casa.

A situação dela foi descoberta em junho de 2026, quando a fiscalização, que envolveu o MTE, o MPT (Ministério Público do Trabalho), a PF (Polícia Federal) e uma equipe psicossocial, resgatou a funcionária no início de julho.

Os empregadores, ao serem citados, reconheceram o vínculo apenas a partir de 2014. Porém, a Auditoria-Fiscal do Trabalho estimou que os créditos trabalhistas do total de salários não pagos e demais benefícios podem ultrapassar R$ 1,5 milhão.

Medidas adotadas

Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi firmado, garantindo à trabalhadora R$ 50 mil em verbas rescisórias, além de um imóvel no valor de pelo menos R$ 150 mil e contribuições previdenciárias até sua aposentadoria.

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