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Meio Ambiente
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Crédito do EcoInvest avança lentamente e gera preocupações

A liberação de recursos para recuperação de áreas degradadas enfrenta desafios.

Mariana Souza09 de junho de 2026 às 05:11
Crédito do EcoInvest avança lentamente e gera preocupações

O setor financeiro e as autoridades estão insatisfeitos com o avanço da liberação de crédito do programa EcoInvest, voltado para a recuperação de áreas degradadas, que está aquém das expectativas.

Em maio, o Itaú BBA anunciou a aprovação de um financiamento de R$ 33,7 milhões para a Usina da Mata, que se dedica à conversão de pastagens degradadas em canaviais no interior de São Paulo. Desde outubro do ano passado, o programa Caminho Verde Brasil, com recursos do segundo leilão do EcoInvest, acumulou R$ 1,7 bilhão em liberações, destinadas a uma área de 63 mil hectares.

Atualmente, os desembolsos não atingem nem metade do total que os bancos precisam liberar até dezembro.

Os bancos devem liberar 25% dos R$ 30 bilhões prometidos pelo EcoInvest até o final do ano, totalizando R$ 7,5 bilhões. Mario Gouvea, coordenador do EcoInvest, minimizou as preocupações, afirmando que o andamento está conforme as regras estabelecidas.

Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do Itaú BBA, destacou que o principal obstáculo é ajustar os projetos às exigências rigorosas do Tesouro Nacional, o que tem consumido tempo tanto dos bancos quanto dos clientes.

No projeto da Usina da Mata, alguns trechos foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade. O financiamento aplicado se destinará à restauração de apenas 500 hectares.

O Manual Operacional do EcoInvest já está em sua terceira edição, atualizada em abril, e introduziu novas regras sobre a degradação do solo e a necessidade de ferramentas técnicas para comprovação.

Mudanças no Programa

A inclusão do Prodes, um sistema de monitoramento de desmatamento, tornou-se um critério para averiguações, enquanto o acesso ao crédito rural em 2027 estará condicionado à análise de desmatamentos desde julho de 2019.

Embora a implementação seja complexa, Fernandes considera natural que a maioria das operações estejam em fase inicial, devido à diversidade do território brasileiro.

O empréstimo inicial mais significativo do programa foi de R$ 100 milhões à Adecoagro, enquanto o Bradesco BBI também liberou R$ 100 milhões à GCS Agropecuária. Já a parceria do BTG e a Bracell foi de R$ 1,5 bilhão.

Os custos de recuperação variam significativamente, com a Usina da Mata enfrentando um custo médio de R$ 45 mil por hectare, superior ao da Adecoagro.

Apesar das dificuldades, o Itaú espera desbloquear mais operações em breve. Ajustes nas exigências do programa devem facilitar a inclusão de projetos, mesmo em áreas que sofrem com governança deficiente.

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