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Meio Ambiente
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Debate sobre abate de jumentos aponta risco de extinção no Brasil

Comissão de Meio Ambiente analisa projeto de lei para proteção dos animais

Giovani Ferreira14 de maio de 2026 às 18:30
Debate sobre abate de jumentos aponta risco de extinção no Brasil

Nesta quinta-feira (14), durante uma audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, representantes de entidades, cientistas e parlamentares alertaram sobre o acentuado declínio da população de jumentos no Brasil, pedindo urgência na proibição do abate destes animais.

O projeto de lei em questão, o 2.387/22, propõe a proibição do abate de jumentos para consumo, comércio ou exportação. De acordo com a The Donkey Sanctuary, o Brasil viu sua população de jumentos encolher de 1,3 milhão no final da década de 1990 para apenas 78 mil em 2025, um dramático declínio de 94%. A entidade alerta que, se a tendência continuar, a extinção dos jumentos poderá ocorrer até 2030.

Desde os anos 1990, a população de jumentos no Brasil despencou, mostrando a necessidade urgente de ações regulatórias.

Especialistas na audiência relacionaram essa drástica redução ao abate de jumentos para extração de pele, utilizada na produção do ejiao, um produto popular na medicina tradicional chinesa. Além disso, a carne dos jumentos é frequentemente utilizada como ração animal.

Atualmente, a estimativa global é de que existam 53 milhões de jumentos, dos quais cerca de 10% são abatidos para fins semelhantes. O valor do mercado de ejiao subiu de US$ 3,8 bilhões em 2015 para US$ 7,2 bilhões em 2022, refletindo uma demanda crescente.

José Roberto Lima, presidente da Comissão de Medicina Veterinária Legal da Bahia, levantou preocupações sobre a entrada de jumentos sem rastreabilidade e histórico sanitário, mencionando casos de doenças como anemia infecciosa equina e mormo em jumentos destinados ao abate. Ele também destacou a exportação de lotes por frigoríficos de cidades da Bahia para países como China, Hong Kong e na União Europeia.

Além das questões sanitárias e comerciais, a bióloga Patrícia Tatemoto, coordenadora de campanhas da The Donkey Sanctuary, ressaltou a importância ecológica dos jumentos, que desempenham papéis cruciais no controle de plantas invasoras e na restauração de ecossistemas na Caatinga.

O deputado Célio Studart (PSD-CE), responsável pela organização do debate, informou que o projecto já obteve aprovação nas comissões de Agricultura e Meio Ambiente, estando agora à espera de votação na Comissão de Constituição e Justiça. Durante a audiência, não foram apresentados novos dados oficiais sobre a população nacional de jumentos, e os desdobramentos da proposta legislativa poderão definir futuras regulamentações sobre a questão.

A queda na população, somada à demanda global e falta de rastreabilidade, reforça a necessidade de uma resposta legal e sanitária no Brasil.

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