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meio-ambiente
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Desmatamento em Curitiba provoca revolta e mobilização social

Corte de 105 árvores gera crise e atentados à infraestrutura urbana

Carlos Silva12 de junho de 2026 às 17:55
Desmatamento em Curitiba provoca revolta e mobilização social

No início do fim de semana de 16 e 17 de maio de 2026, o som ensurdecedor de motosserras ecoou na Avenida Presidente Arthur Bernardes, em Curitiba, resultando na derrubada abrupta de 105 árvores em um parque linear histórico. Essa ação, realizada sem aviso prévio à população, gerou um impacto profundo e revelou significativas falhas no planejamento urbano da cidade.

A destruição das árvores é um indício claro de um problema urbano mais abrangente. Este evento evidencia as contradições do Programa de Mobilidade Urbana Sustentável de Curitiba, conhecido como Novo Inter 2, um projeto ambicioso com mais de 38 quilômetros de intervenções, atingindo vários bairros e com um custo estimado de 863 milhões de reais.

O Novo Inter 2 é acusado de promover um urbanismo de fachada, ignorando o impacto ambiental em nome de modernização.

Financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, o programa tem como objetivo modernizar a infraestrutura da cidade com ônibus elétricos. Contudo, isso se baseia em uma arquitetura predominantemente rodoviarista, que aumenta asfalto e concreto e desconsidera a vegetação existente. Um exemplo claro disso é a Avenida Victor Ferreira do Amaral, onde quase 200 árvores foram cortadas. Na Rua Vital Brasil, uma derrubada de 34 árvores — 23 delas nativas — levou a um embargo por parte do Ibama devido à falta de licenciamento.

As falhas na execução do projeto tornam-se evidentes quando analisadas as documentação da administração municipal. Ao serem questionados sobre alternativas que preservassem a vegetação, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente disse que não era de sua responsabilidade, transferindo a culpa ao IPPUC, que admitiu a falta de estudos técnicos para suportar as suas decisões.

Além disso, o consórcio encarregado das obras acumulou diversas notificações de desvio em cronogramas e qualidade, resultando na rescisão do contrato com o prefeito Eduardo Pimentel.

Em paralelo, centenas de chamadas de emergência mostram uma série de graves acidentes e problemas de segurança causados pelas obras.

A comunicação da prefeitura sobre as mudanças é questionável. Comerciais e residentes relatam interrupções inesperadas nas vias, afetando gravemente o comércio local e a vida cotidiana. Em alguns casos, destruições de infraestrutura foram feitas antes mesmo do início dos projetos revisados, indicando um desprezo completo pela natureza e pelo planejamento.

Como resposta a esse cenário, uma ampla mobilização social emergiu com a participação de 74 organizações civis e movimentos sociais, demandando maior transparência e um verdadeiro cálculo das emissões de poluentes oriundas do desmatamento. A pressão política já gerou requerimentos por parte de 14 vereadores, tanto da oposição quanto da base do prefeito, pedindo esclarecimentos sobre o impacto do Novo Inter 2.

A luta por justiça socioambiental em Curitiba reforça a necessidade de políticas que sustentem, efetivamente, um desenvolvimento urbano sustentável e respeitoso com a natureza.

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