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Estudo da descarbonização da pecuária no Brasil apresenta resultados promissores

ApexBrasil revela que emissões de CO2 da carne bovina podem cair drasticamente até 2050

Camila Souza Ramos08 de junho de 2026 às 15:05
Estudo da descarbonização da pecuária no Brasil apresenta resultados promissores

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apresentou, nesta segunda-feira (8), um estudo elaborado em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e a Fundação Getulio Vargas Agro (FGV Agro), na sede da FAO em Roma. O relatório sugere que a pecuária de corte no Brasil pode reduzir suas emissões de carbono em até 92,6% até 2050, especialmente se forem adotados cenários de mitigação ambiciosos.

Resultados do Estudo

Intitulado 'Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil – 2025 a 2050', o estudo foi discutido durante a Quarta Sessão do Subcomitê de Pecuária do Comitê de Agricultura (COAG). O levantamento revela que a intensidade de carbono da carne bovina pode reduzir de 80 quilos para apenas 16 quilos de CO2 equivalente por quilo de carne produzido em um cenário de referência, o que representa uma diminuição de 80%.

Nos cenários que seguem as diretrizes do Plano ABC+, a emissão pode diminuir ainda mais, chegando a 5 quilos de CO2 equivalente por quilo de carne. A pesquisadora Camila Estevam, da FGV Agro, destacou que o modelo incorpora tecnologias já disponíveis, incluindo práticas de recuperação de pastagens ruins, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), biotecnologia e aditivos alimentares.

Projeções sugerem que as emissões absolutas podem ser reduzidas em até 60% até 2050.

Produção e Sustentabilidade

O estudo aponta que a produção de carne bovina no Brasil pode atingir 18,2 milhões de toneladas em 2050, com uma redução de 35% na área destinada a pastagens e um aumento do peso médio de 211 quilos para 277 quilos por animal.

Entre 2004 e 2024, a produção de carne bovina no Brasil cresceu mais de 240%, enquanto a área de pastagens caiu de 181 milhões para 160 milhões de hectares. Este fenômeno é associado ao conceito de 'efeito poupa-terra'. Atualmente, o rebanho bovino do Brasil conta com cerca de 192,6 milhões de cabeças.

Desafios e Perspectivas

A apresentação deste estudo na FAO reforça a importância da rastreabilidade ambiental, do acesso aos mercados e da competitividade da carne brasileira. No entanto, o documento não fornece detalhes sobre a metodologia completa, incertezas e cronograma de implementação das tecnologias nos diferentes regions produtoras.

Os resultados indicam que os avanços em produtividade e intensificação sustentável devem ser fundamentais na agenda futura da pecuária de corte, mas a realização dessas projeções dependerá da velocidade de adoção de novas tecnologias e de políticas já estabelecidas para o setor.

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