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meio-ambiente
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Fungicidas afetam fungos essenciais na alimentação de abelhas

Estudo da Embrapa revela impactos prejudiciais de fungicidas na saúde das abelhas sem ferrão.

Fernanda Lima07 de abril de 2026 às 11:15
Fungicidas afetam fungos essenciais na alimentação de abelhas

Uma pesquisa da Embrapa Meio Ambiente revelou que fungicidas, tanto químicos quanto biológicos, prejudicam fungos fundamentais que compõem a dieta das larvas de abelhas sem ferrão do tipo Scaptotrigona depilis. Isso pode ter sérias consequências para o desenvolvimento e sobrevivência dessas abelhas.

Os fungicidas impactam organismos essenciais para digestão e nutrição das larvas.

O estudo analisou os efeitos de ambos os tipos de fungicidas sobre o complexo fúngico presente em uma mistura de pólen e secreções glandulares, que as operárias preparam para alimentar as larvas. Os resultados mostraram que as substâncias químicas comprometem fungos simbiontes, mantidos em relação mutualística com as abelhas, que são vitais para a nutrição.

A pesquisadora Simone Prado destacou que, apesar da consciência geral sobre os danos causados pelos inseticidas, fungicidas também demandam atenção, já que seu uso indiscriminado pode afetar a saúde das colônias de abelhas. Os pesquisadores realizaram a comparação de diferentes concentrações de ambos os produtos e mediram o desenvolvimento fúngico por meio de contagem de esporos e análises moleculares.

Resultados da Pesquisa

Os dados mostraram respostas variáveis entre os fungicidas. O biológico, em concentrações intermediárias de 0,2 g/L e 0,66 g/L, promoveu o crescimento dos fungos benéficos, ao contrário da dose máxima que inibia seu crescimento. Já o fungicida químico demonstrou efeitos mais severos, com concentrações acima de 2 g/L resultando na completa inibição da esporulação, eliminando os fungos simbiontes da amostra.

A eliminação do complexo fúngico pode comprometer a dieta das larvas.

Segundo Jenifer Ramos, uma das pesquisadoras, as doses testadas foram baseadas nas recomendações de uso agrícola, mas é importante notar que não são diretamente comparáveis entre os diferentes tipos de fungicidas, devido às suas formulações distintas.

Os pesquisadores destacam a necessidade de ampliação de estudos sobre os impactos dos fungicidas na saúde das abelhas nativas, já que atualmente os testes tendem a focar nas abelhas exóticas. Cristiano Menezes, outro autor da pesquisa, argumentou que é essencial incluir as abelhas nativas em testes de ecotoxicidade e que tanto fungicidas químicos quanto biológicos deveriam passar pelo mesmo escrutínio aplicado aos inseticidas.

Contexto

O estudo intitulado 'Efeitos de Fungicidas no Complexo Fúngico do Alimento Larval de Scaptotrigona depilis' foi apresentado no Simpósio de Controle Biológico e envolveu uma equipe de pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente.

Os microrganismos associados às abelhas são vitais para sua saúde e nutrição. O uso de produtos menos danosos contribui para a preservação dos polinizadores e a sustentabilidade das práticas agrícolas, reforçando a importância de reavaliar as estratégias de controle de pragas.

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