Relatório do Pnuma destaca a disparidade entre discursos e ações contra o aquecimento global.

A ONU alertou nesta quarta-feira que os compromissos globais para reduzir as emissões estão muito aquém das metas climáticas do Acordo de Paris, apontando para um possível aumento de 2,6 °C neste século. O relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) destaca uma disparidade significativa entre discursos e ações na luta contra o aquecimento global.
De acordo com o estudo, mesmo que os países cumpram totalmente seus compromissos climáticos mais recentes, as temperaturas globais podem continuar a subir, superando em muito a meta histórica do Acordo de Paris. Este trata de manter o aumento da temperatura bem abaixo de 2 °C, com esforços para limitar a 1,5 °C.
✨ O relatório indicou que as ações insuficientes ao longo das décadas resultaram na perda da possibilidade de manter o aumento da temperatura em 1,5 °C, com consequências devastadoras para o planeta.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu sobre as consequências das mudanças climáticas, ressaltando que inundações, ondas de calor, incêndios florestais e desigualdades sociais estão em ascensão. Cientistas indicam que cada fração acima de 1,5 °C intensifica fenômenos meteorológicos extremos e pode resultar em mudanças irreversíveis.
Os dados preliminares do relatório mostram aumentos nas emissões dos Estados Unidos, Indonésia e China, enquanto a Índia, Rússia e União Europeia apresentaram reduções. O aumento mais significativo foi observado nos Estados Unidos, devido à maior demanda de eletricidade a partir de carvão.
O Pnuma estima que para limitar o aquecimento global a 1,5 °C até 2100, seria necessário atingir um máximo de 1,8 °C em 2050, exigindo cortes imediatos nas emissões de 6% ao ano, até 2035. Isso é considerado distante das projeções atuais.
Críticas foram levantadas por países em desenvolvimento, que acusam os maiores emissores de não cumprirem com as metas do Acordo de Paris. O diretor do centro de estudos Power Shift Africa, Mohamed Adow, destacou que a ciência é clara, mas as ações têm sido procrastinadas, resultando em consequências trágicas.
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