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Acordo Mercosul-UE inicia em maio e promete impulsionar algodão

Protocolo eleva expectativas para comércio entre Brasil e Europa

Tiago Abech29 de abril de 2026 às 13:45
Acordo Mercosul-UE inicia em maio e promete impulsionar algodão

O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul começará a vigorar em 1º de maio, conforme anunciado pela Comissão Europeia. Essa iniciativa abre novas oportunidades para o Brasil, especialmente em relação ao fortalecimento das exportações de algodão.

O acordo é um dos maiores do mundo e prevê a redução ou eliminação de tarifas em mais de 90% dos produtos negociados. O Brasil, que corresponde a aproximadamente 80% das exportações do Mercosul para a Europa, pode ver uma melhoria na sua inserção no mercado europeu, onde o algodão brasileiro atualmente tem uma participação limitada.

Estimativas indicam que o acordo pode acrescentar mais de €8,5 bilhões às exportações do Mercosul para a UE.

Marcelo Duarte, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), enfatiza que o setor têxtil brasileiro pode se beneficiar diretamente. "A falta de acordos de livre comércio tem restringido nosso potencial no mercado externo, mas essa nova iniciativa oferecerá oportunidades sem precedentes", afirma.

Duarte menciona que, em colaboração com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o setor está desenvolvendo uma estratégia para garantir que o algodão brasileiro seja amplamente utilizado nas indústrias têxteis da Europa, potencializando o valor agregado ao produto.

O impacto no comércio têxtil

George Candon, CEO da My Friday Consultoria Estratégica, resalta que o acordo, após duas décadas de negociações, é crucial para a eliminação de diversas barreiras comerciais. A criação de uma robusta área de comércio livre entre os blocos, com uma população somada de mais de 700 milhões e um PIB de cerca de €20 trilhões, representa um feito significativo.

A queda de tarifas que podem chegar até 35% em produtos agrícolas garantirá maior acesso para os produtores do Mercosul aos mercados europeus. Contudo, a competição no setor de algodão requer paciência, uma vez que a exportação direta não é uma prática comum.

A Europa é um importador indireto de algodão brasileiro, misturado a fibras e tecidos produzidos em outros países.

Rastreabilidade e sustentabilidade

Outro aspecto que pode favorecer o algodão brasileiro é a crescente demanda europeia por produtos sustentáveis. Os produtores locais implementaram sistemas de rastreabilidade que garantem a transparência desde a plantação até o consumidor final.

O programa SouABR, que utiliza tecnologia blockchain, permite que os consumidores acompanhem a jornada do algodão através de códigos QR nas etiquetas dos produtos, proporcionando informações detalhadas sobre a origem e as práticas de cultivo.

Silmara Ferraresi, da Abrapa, ressalta que essa rastreabilidade não só atende às exigências europeias, mas também agrega valor ao algodão brasileiro no competitivo mercado internacional.

Próximos passos do acordo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou a promulgação do acordo em 28 de dezembro de 2026. Entretanto, a ratificação final ainda depende do Parlamento Europeu e de uma avaliação pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode impactar a implementação dos termos acordados.

Apesar disso, a aplicação provisória do acordo pode avançar rapidamente entre os países que finalizarem seus processos internos, como é o caso do Brasil.

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