Abrapa e Anea alertam para revisão da tributação na importação de algodão
Revisão da 'taxa das blusinhas' pode prejudicar indústria têxtil nacional

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) expressaram preocupações com a possível revisão da tributação sobre remessas internacionais de até US$ 50, conhecida como a 'taxa das blusinhas'. O governo está considerando revogar essa taxa que incide sobre importações de baixo valor.
Em um comunicado divulgado conjuntamente, as associações enfatizaram que a eliminação ou redução dessa taxa pode facilitar a entrada de produtos têxteis importados com materiais sintéticos e derivados de combustíveis fósseis. O principal alerta é que essa mudança poderia aumentar a concorrência desleal e prejudicar a competitividade da indústria nacional, resultando em uma possível diminuição do valor agregado ao algodão brasileiro.
✨ As associações estimam que o complexo algodão-têxtil gera 1,3 milhão de empregos diretos e 8 milhões indiretos, dos quais 60% são ocupados por mulheres.
A nota conjunta da Abrapa e da Anea se alinha com a posição já defendida pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX). Em seu pronunciamento, as entidades claram que é essencial que o debate sobre a tributação seja conduzido com uma visão de longo prazo, levando em conta os impactos econômicos, sociais e ambientais.
Além das questões econômicas, a Abrapa e a Anea levantaram preocupações sobre as consequências ambientais da ampliação da importação de fibras sintéticas. Elas destacaram que o aumento dessa importação pode resultar em uma maior geração de resíduos persistentes e microplásticos, apontando que cerca de 35% dos microplásticos nos oceanos provêm de têxteis sintéticos.
Os números também indicam um crescimento alarmante nas importações têxteis. Nos últimos dez anos, esse setor passou de cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2015 para mais de 2 milhões de toneladas em 2024. Nesse volume, impressionantes 94% são de fibras sintéticas e artificiais, enquanto o algodão e outras fibras naturais representam menos de 6%.
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