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Alemanha investe em cultivo sustentável para estabilizar mercado de café

Financiamento climático busca segurança na oferta e controle de preços.

Gabriel Azevedo25 de maio de 2026 às 05:15
Alemanha investe em cultivo sustentável para estabilizar mercado de café

Embora a Alemanha não tenha uma produção própria de café, o país se destaca como a quarta maior exportadora global de grão torrado e moído, com exportações alcançando US$ 5,4 bilhões em 2025. Como segundo maior comprador de café verde, logo após os Estados Unidos, a nação enfrenta os efeitos das flutuações nos preços do café no mercado internacional.

Para mitigar essa volatilidade, a Alemanha tem apostado em financiamento climático, promovendo projetos de cultivo sustentável em nações produtoras significativas, como o Brasil. Essa iniciativa visa garantir maior estabilidade na oferta de café no mercado global.

O financiamento climático pode estabilizar o comércio de café com parceiros tradicionais e fortalecer relações com países ainda em desenvolvimento.

Segundo um estudo da Zero Carbon Analytics, uma oferta garantida de café poderia equilibrar os preços, beneficiando a indústria alemã com preços mais acessíveis e contribuindo para o controle da inflação alimentar no país.

Dados da Associação Alemã do Café apontam que, em 2025, o consumo de café na Alemanha totalizou 7,6 milhões de sacas de 60 quilos, refletindo uma redução de 1,5% em relação a 2024, embora o valor do mercado tenha crescido 23,5%, alcançando 8,98 bilhões, impulsionado pela alta dos preços internacionais. Aproximadamente 40% desse total provém do Brasil.

Entretanto, os embarques brasileiros de café para a Alemanha caíram 28,8%, para 5,41 milhões de sacas, devido a prejuízos causados por condições climáticas desfavoráveis.

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Mais de 98% do café que a Alemanha importa vem de países que enfrentam vulnerabilidades climáticas significativas, como o Brasil. O financiamento climático é essencial para fortalecer a resiliência do setor produtivo e apoiar pequenos agricultores

Jessica Nicol, pesquisadora da Zero Carbon Analytics.

Apesar de pequena escala, os pequenos agricultores são responsáveis por 80% da produção mundial de café, porém recebem apenas 0,36% do financiamento destinado ao enfrentamento das mudanças climáticas, devido a dificuldades de acesso ao crédito e à intensa concorrência.

A Alemanha, reconhecida como um dos principais agentes de financiamento climático global, tem promovido programas por meio de suas agências governamentais, como a GIZ e o BMZ, com um investimento total de 11,8 bilhões em 2024. Um destaque é o programa Sustainable Agriculture for Forest Ecosystems (SAFE), que conta com 65,5 milhões de euros para apoiar mais de 600 agricultores e cooperativas nas regiões Transamazônica e do Xingu.

Em abril, Brasil e Alemanha formalizaram uma intenção de investimento, prevendo injeções de R$ 4,1 bilhões (aproximadamente 700 milhões de euros) em projetos sustentáveis no Brasil.

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