Divisão da cota de carne do Mercosul gera disputa entre países
Brasil pressiona por critérios técnicos na repartição de 99 mil toneladas anuais.

A divergência entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai em relação à distribuição de 99 mil toneladas anuais de carne bovina, conforme acordo com a União Europeia, gera tensões no Mercosul e mobiliza o setor exportador brasileiro.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) defende que a alocação dessa cota deve ser baseada em critérios que considerem a capacidade efetiva de fornecimento de cada nação, ao invés de uma divisão igualitária proposta pelo Paraguai, que atualmente preside o bloco.
✨ A proposta do Paraguai sugere uma divisão igual de 24,75 mil toneladas para cada país, mas o Brasil alega que essa abordagem pode resultar em subutilização da cota.
A Abiec enfatiza que diversos fatores como escala de produção, regularidade de oferta e histórico de exportações para a Europa devem ser levados em consideração. 'Não se trata apenas de uma divisão aritmética, mas de garantir que possamos aproveitar ao máximo os benefícios do acordo', informou a entidade.
Contexto
Com o novo acordo, o Brasil poderá exportar carne bovina à Europa com tarifas reduzidas de 7,5%, uma maior oportunidade em relação ao atual sistema de cotas, que impõe tarifas de até 20%.
Historicamente, o Brasil tem uma fatia significativa da cota de carne, com 42,5% do volume total no acordo de 2004, seguido pela Argentina, Uruguai e Paraguai. Essa divisão proporcional considera a capacidade exportadora de cada membro do bloco.
Entretanto, fontes governamentais sugerem que, neste momento inicial, pode não ocorrer uma divisão formal da cota, deixando o acesso ao mercado europeu afetado pela capacidade de cada país de estabelecer contratos. A expectativa é de que regras mais definidas sejam estabelecidas apenas no próximo ano, mantendo a disputa ativa dentro do Mercosul.
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