Emerson Souza defende ferro verde como mercado distinto do tradicional
Vice-presidente da Brazil Iron destaca descarbonização na siderurgia

Emerson Souza, vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, afirmou em entrevista à CNN que o ferro verde terá um mercado próprio, sem competir diretamente com o minério de ferro tradicional.
Durante sua participação no programa Mapa da Mina, Souza destacou que a empresa não busca substituir completamente o minério de ferro usado na siderurgia, mas sim ocupar um nicho específico voltado para a descarbonização da indústria do aço.
✨ O ferro verde não concorrerá diretamente com o minério de ferro convencional, mas atenderá a uma necessidade crescente de descarbonização.
O executivo explicou que a Brazil Iron está desenvolvendo um projeto na Bahia que integra mineração e produção de HBI (Hot Briquetted Iron). Este produto, que é uma forma compactada de ferro, serve como insumo na siderurgia e pode ser utilizado em processos menos poluentes em comparação às metodologias tradicionais baseadas em carvão.
Pressões e oportunidades no mercado
Souza acredita que a demanda por ferro verde será impulsionada por regulamentações ambientais e compromissos de grandes indústrias em reduzir suas emissões. Um exemplo citado é o CBAM, mecanismo da União Europeia que impõe preços sobre as emissões embutidas em produtos importados, incluindo ferro e aço.
De acordo com o vice-presidente, a adoção deste tipo de insumo tende a crescer especialmente na Europa e na Ásia, onde as políticas climáticas são mais rigorosas. O Japão também está sendo destacado por iniciativas de financiamento para descarbonização industrial.
✨ Apesar do potencial, ainda existem incertezas sobre a disposição dos compradores em pagar mais por produtos com menor pegada de carbono.
A premiação verde, ou a possibilidade de se pagar um valor adicional por insumos de baixa emissão, é um ponto central de debate. Empresas siderúrgicas e consumidores finais poderiam aceitar esses preços em função de suas metas climáticas, embora, na prática, essa disposição dependa de diversos fatores, incluindo a regulação de carbono e a pressão governamental.
Souza informou que a Brazil Iron já possui contratos de offtake que garantem a venda futura de suas produções, demonstrando um interesse concreto pelo HBI entre compradores na Ásia e na Europa.
Desafios e investimentos futuros
O projeto de ferro verde na Bahia requer um investimento de aproximadamente US$ 5,7 bilhões e enfrenta desafios significativos como fechamento de financiamento, licenciamento ambiental, infraestrutura logística e certificação de carbono do produto.
A Brazil Iron propõe iniciar sua rota com uso de gás natural, visando reduzir emissões, e futuramente explorar o hidrogênio verde e soluções de captura de carbono, mas ainda precisa avançar em várias etapas antes de concretizar suas metas.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de negócios

Empresas de terras raras no Brasil se valorizam após compra da Serra Verde
A aquisição da mineradora brasileira impulsiona o valor de ativos fora da China.

Aclara Resources investirá US$ 780,9 milhões em projeto Carina
Produção de terras raras em Goiás deve começar até 2028

ApexBrasil contrata apoio legal contra tarifa de 25% dos EUA
Ação visa proteger exportações brasileiras diante de medidas protecionistas.

Grupo Agropecuário Schneider inicia recuperação judicial para reestruturar dívidas
Produtor rural luta para reestruturar R$ 248,3 milhões em débitos





