Entidades empresariais pedem diálogo para evitar tarifas entre Brasil e EUA
Câmara Americana de Comércio e CNI buscam soluções conjuntas

Três importantes organizações empresariais dos Estados Unidos e Brasil, incluindo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce, enviaram uma carta colaborativa aos governos dos dois países. O objetivo é estabelecer uma agenda de negociações que impeça a aplicação de novas tarifas comerciais.
O documento foi endereçado aos ministros brasileiros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, além do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e do secretário de Estado, Marco Rubio. Esta ação surge em um momento crítico, enquanto o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) conduz uma investigação sobre práticas comerciais que podem prejudicar interesses americanos.
✨ Decisão sobre tarifas programada para 15 de julho.
Na carta, as entidades expressam satisfação com o recente aumento do diálogo bilateral, especialmente após a reunião entre os presidentes Lula e Trump, que ocorreu em maio deste ano. Eles destacam que a reinício das negociações representa uma chance crucial para aprofundar uma das relações econômicas mais importantes entre as Américas.
Como prioridade imediata, os signatários pedem que os governos brasileiro e norte-americano busquem acordos concretos em curto prazo para resolver a investigação baseada na Seção 301 e evitar a imposição de novas tarifas comerciais. O foco está em encontrar uma solução negociada em vez de criar novas barreiras comerciais.
Propostas de Negociação
As entidades sugerem que as negociações se iniciem com temas diretamente vinculados ao comércio bilateral, tais como: ampliar o acesso a mercados de insumos industriais, aumentar a cooperação regulatória em setores chave como o automotivo e farmacêutico, e acelerar a análise de patentes no Brasil.
- 1Aprofundar a cooperação regulatória nos setores automotivo e farmacêutico.
- 2Ampliar o acesso a mercados para insumos industriais e produtos de segurança energética.
- 3Apoiar a moratória da OMC sobre tarifas em transmissões eletrônicas.
- 4Cooperar em minerais críticos.
- 5Implementar o Protocolo Anticorrupção do Acordo sobre Comércio e Cooperação Econômica.
Uma segunda fase das negociações deve expandir os tópicos a serem discutidos para incluir segurança energética, cadeias produtivas e agricultura, entre outros. Para os representantes empresariais, essa abordagem em duas etapas é considerada uma maneira pragmática de reforçar a cooperação econômica entre os países.
Na defesa da negociação como uma alternativa ao conflito comercial, as entidades ressaltam que procurar soluções por meio do diálogo pode resultar em benefícios duradouros, evitando impactos negativos sobre empresas, trabalhadores e consumidores.
Contexto
A investigação do USTR examina diversas políticas brasileiras, incluindo comércio digital, propriedades intelectuais, e tarifas sobre o etanol. Audiências públicas foram realizadas em Washington por representantes das indústrias e agronegócios para defender suas posições antes da decisão americana.
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