Aproveitamento de peles bovinas beneficia diversos setores

A produção de carne é apenas uma parte da cadeia pecuária; a JBS demonstra que as peles bovinas têm uma vasta aplicação industrial, alimentando setores como automotive, mobiliário e cosméticos.
No complexo da JBS em Lins, São Paulo, a transformação das peles começa logo após o abate, com a preservação das peles para que sejam enviadas a curtumes. De acordo com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil, o Brasil gera aproximadamente 40 milhões de peles bovinas anualmente, sendo o terceiro maior exportador de couro do mundo, com mercado em mais de 80 países.
O diretor técnico da JBS Couros, Ramon Dela Torres, detalha as três etapas cruciais da transformação: curtimento, recurtimento e acabamento. O curtimento estabiliza a proteína da pele para evitar decomposição, enquanto o recurtimento define características como cor e textura. O acabamento é o toque final que adapta o couro para diversas aplicações, como em veículos ou móveis.
"É como a construção de uma casa, onde o curtimento é a base. Se o alicerce não for bem feito, a estrutura não se sustenta.
O couro gerado nesta unidade da JBS é majoritariamente destinado à indústria automotiva. Após a produção do couro até o estágio semiacabado, o material é exportado para países como Hungria, China e Tailândia, onde passa por um acabamento adicional que o torna parte fundamental dos bancos de veículos.
✨ O couro ainda é considerado insubstituível em revestimentos de alta qualidade.
Porém, a qualidade do couro também está atrelada a como os animais são tratados. Marcas de parasitas podem afetar a parte mais nobre da pele, exigindo tratamentos adicionais que podem comprometer a aparência natural do couro e, consequentemente, seu valor.
O conceito de economia circular se estende além do curtimento. Dentro do próprio processo fabril, subprodutos como sebo e aparas de pele encontram relevância. O sebo é utilizado na fabricação de sabonetes e biodiesel. As aparas podem ser transformadas em colágeno e gelatina, servindo indústrias de cosméticos e saúde.
"Mais de 90% do peso da pele recebida em uma fábrica de couro é convertido em algum produto.
Após desafios passados com o aproveitamento de resíduos, a JBS aprimorou processos e hoje utiliza sobras para a produção de fertilizantes de alto valor agregado, aproveitando aminoácidos presentes nesse material.
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