Cerca de 60% do valor das aquisições de controle no setor energético é originário do capital externo nos últimos três anos.

Um levantamento recente realizado pela Acorn Advisory revela que, nos últimos três anos, o capital estrangeiro representou 60% do valor total das aquisições de controle no setor de energia brasileiro. O relatório, obtido pela CNN, aponta que o investimento externo teve um ticket médio notável de R$ 1,2 bilhão, enquanto as transações domésticas registraram pouco mais de R$ 200 milhões.
Durante o período, que abrange desde julho de 2023 até junho de 2026, 189 aquisições foram realizadas, resultando em uma média superior a cinco negócios mensais. Esse volume foi alcançado mesmo diante de um ambiente caracterizado por altos custos de capital e a influência do calendário eleitoral nas decisões dos investidores.
✨ A geração de energia é o principal segmento, respondendo por cerca de metade das aquisições, com ênfase em fontes renováveis como solar, eólica e hídrica.
Entre as principais empresas envolvidas nas aquisições estão o Volaris Group e a Brookfield, ambos do Canadá, além do Italian Exhibition Group, H&CO dos Estados Unidos e One Fertilit do Canadá. Os Estados Unidos, Canadá, França, Reino Unido, Espanha, Alemanha, Itália, Holanda, Suécia e China se destacam como os países que mais investiram no Brasil durante esse período.
Gabriel Silva, sócio da Acorn Advisory, observa que embora o interesse estrangeiro se concentre em ativos maiores, os investidores locais tendem a focar em transações de médio porte. Ele destaca que em 2025, o setor de energia teve 24 aquisições por parte de investidores internacionais, quase o dobro em comparação ao ano anterior, quando houve 13.
A evolução do investimento estrangeiro é atribuída ao alto custo de capital no Brasil, que reduz a competitividade dos compradores internos mais dependentes de dívida. Investidores globais, por outro lado, possuem acesso a capital a longo prazo, permitindo-lhes competir por ativos de maior valor.
O estudo também sugere que a tendência de aumento de aquisições deve continuar em 2027, impulsionada pela queda dos juros e pela demanda por novas fontes de tecnologia, como data centers.
Em segmentos de energia, a transmissão é identificada como um dos mais atraentes, com concessões de longo prazo e alta previsibilidade de fluxo de caixa, características que atraem fundos de infraestrutura. Em 2025, a Equatorial Energia vendeu sua divisão de transmissão ao fundo de pensão canadense La Caisse por R$ 9,4 bilhões.
Entre as novidades também está o crescente interesse chinês no setor elétrico brasileiro. A State Grid e a China Three Gorges, estatais do país asiático, têm se mostrado ativas em aquisições e novos projetos no Brasil.
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Jornalista especializado em Negócios

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