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Isenção de importação de óleo de palma gera divisão entre indústrias

Conflito entre indústrias brasileiras e política de importação persiste

Camila Souza Ramos19 de maio de 2026 às 08:20
Isenção de importação de óleo de palma gera divisão entre indústrias

O governo brasileiro decidiu manter a isenção de impostos sobre a importação de óleo de palma refinado por mais três anos, apesar do aumento na produção tanto local quanto internacional. A última renovação da cota, que permite a importação de até 150 mil toneladas sem tarifas, aconteceu em dezembro de 2025 e ignora as preocupações das indústrias de processamento e de alimentos.

Em 2022, após a Indonésia, principal produtora do mundo, interromper suas exportações, o Brasil isentou a tarifa de 9% sobre o óleo refinado, ação que visava atenuar as pressões inflacionárias. Essa medida, considerado temporária, foi estendida mesmo após a recuperação das exportações indonésias e malasias, que ocorreram de forma acelerada nos últimos anos.

Apesar do crescimento da produção local, isenção de importação continua gerando disputas no setor.

As exportações de óleo de palma do Brasil aumentaram 14% entre 2022 e 2025, atingindo 650 mil toneladas, conforme dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Já a Indonésia e a Malásia também viram aumentos significativos em sua produção nos últimos anos, com a Indonésia reportando um crescimento de 16% entre janeiro e outubro de 2023. Apesar desse aumento, Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleo de Palma (Abrapalma), critica essa situação, afirmando que a política de isenção se tornou constante quando deveria ser uma solução temporária.

O Ministério da Agricultura não respondeu aos pedidos de comentário sobre a solicitação da Abrapalma para o fim da cota. A indústria local reconhece a necessidade de expandir o cultivo para reduzir a dependência das importações, mas teme que a concorrência desleal com países do sudeste asiático, que não seguem as mesmas normas socioambientais, prejudique seus esforços.

Contexto

As importações de óleo de palma representam 30% do consumo nacional nas indústrias alimentícia e de cosméticos. O óleo de palma é crucial, especialmente após a proibição da gordura trans, imposta no Brasil em 2023.

"

A eventual reoneração do imposto não aumentaria a produção nacional nem ampliaria a oferta internacional, apenas elevaria o custo de aquisição de uma matéria-prima essencial.”

Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia)

A Abrapalma argumenta que, se permitido, poderia utilizar a capacidade de refino existente no Brasil e optar por importar óleo bruto da Colômbia e do Peru, que são isentos de tarifas. Essa alternativa visa fortalecer a indústria local frente à competição acirrada que enfrenta.

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