Cientista político analisa fatores que levaram à maior taxa de ausências desde 1998.

No primeiro turno das eleições de 2026, mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas, resultando em uma taxa de abstenção de 21,08%. Este índice representa o maior registrado desde 1998, conforme análise de Jairo Nicolau, cientista político da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Nicolau, autor do livro 'O País Dividido', ressalta que a abstenção não pode ser interpretada como desinteresse generalizado pela política, dado que inclui eleitores com diferentes perfis e razões para não votar. Ele destaca casos como aqueles que não são obrigados a votar, problemas de saúde e acesso, além de questões cadastrais que podem complicar o registro eleitoral.
Uma pesquisa do Datafolha revelou que as principais razões apontadas pelos eleitores para não participar do primeiro turno incluíram viagens (19%), problemas de saúde (18%), desinteresse (13%) e compromissos de trabalho (9%). Muitos eleitores também relataram dificuldades com a burocracia para transferir o título de eleitor.
✨ Durante as eleições de 2026, o Nordeste foi a região que apresentou a menor taxa de abstenção, com 18,4%, enquanto o Sudeste registrou os maiores índices, alcançando 22,7%.
Nicolau analisou a distribuição da abstenção entre as regiões e grupos populacionais, identificando que muitos jovens de 18 a 29 anos, obrigados a votar, e idosos de 70 anos ou mais, que enfrentam dificuldades de locomoção e saúde, estão entre os principais grupos de ausentes. Em 2022, 7,7 milhões de jovens nessa faixa etária não votaram.
Apesar de o voto ser obrigatório no Brasil, Nicolau observa que na prática as consequências por não comparecer às urnas são mínimas. A facilidade para justificar a ausência e a baixa penalidade financeira contribuem para que muitos considerem a obrigatoriedade do voto menos vinculativa.
Em análise cuidadosa, Nicolau enfatiza a necessidade de mais pesquisas que aprofunde a compreensão sobre o fenômeno da abstenção, que, segundo ele, não pode ser exclusivamente atribuída à falta de interesse na política.
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