Governo orienta diálogo construtivo e evita formalizar crises bilaterais na reunião de ministros.

O governo brasileiro pretende evitar que as divergências com os Estados Unidos contaminem a agenda diplomática no G20. A orientação é manter os canais institucionais de diálogo, sem transformar a reunião de chanceleres em um novo capítulo do desgaste entre Brasília e Washington.
O Itamaraty, a princípio, não planeja realizar uma reunião bilateral entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Vieira participará da reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, que ocorre entre os dias 30 e 31 em Atlanta, EUA, conduzida por Rubio, que representa o governo de Donald Trump.
A programação brasileira no encontro inclui três sessões de trabalho, focadas em questões geopolíticas, energia e cadeias de suprimento. De acordo com o Itamaraty, o ministro terá reuniões bilaterais com outros integrantes do grupo, mas sem especificar quais autoridades estão confirmadas na agenda.
✨ A ausência de um encontro formal com Rubio ocorre em meio a tensões, com a Casa Branca ainda sem reconhecer a vitória de Lula nas eleições presidenciais e Trump insinuando fraudes, sem apresentar evidências.
Apesar dos atritos, a estratégia brasileira visa não transformar cada provocação de Washington em uma crise bilateral, buscando preservar a interlocução e evitar que as relações se restrinjam a divergências políticas entre Trump e Lula.
A reunião em Atlanta será preparatória para a Cúpula de Líderes do G20 prevista para dezembro, em Miami, onde o Brasil estará ao lado de economias como EUA, China e Rússia. No Brasil, há a avaliação de que Washington mostra pouco interesse em avançar nas pautas multilaterais.
Ainda, a presença do chanceler argentino, Pablo Quirno, adiciona um componente delicado à agenda, visto que as relações entre Brasil e Argentina também enfrentam um momento complicado, agravado por declarações de Javier Milei contra Lula.
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Jornalista especializado em Política

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