Brasil pode contestar tarifas dos EUA na OMC, mas ação é simbólica
Diplomatas afirmam que qualquer recurso será apenas para marcar posição

Integrantes da diplomacia brasileira, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estão considerando a possibilidade de acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) em resposta às tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos. No entanto, esse movimento é visto como uma ação simbólica, destinada apenas a 'marcar posição' no cenário internacional.
Na última quinta-feira (23), a administração de Donald Trump anunciou um novo conjunto de tarifas, que se somam a um imposto anterior de 25%. Desta vez, a tarifa de 12,5% resulta da alegação de que o Brasil permite a importação de produtos fabricados sob condições de trabalho forçado.
✨ O Palácio do Planalto condenou essas imposições como 'arbitrárias e injustificadas', afirmando que tomará medidas imediatas de retaliação por meio da Lei de Reciprocidade.
Apesar das intenções de contestar na OMC, muitos diplomatas no governo enfatizam que tal ação provavelmente não terá um impacto significativo. "É uma forma de demonstrar que o recurso está disponível, mas hoje em dia não se espera que tenha efeito prático", comentou um dos envolvidos nas discussões sobre a questão.
Sobre a OMC
Estabelecida em 1995, a Organização Mundial do Comércio tem a missão de reduzir barreiras comerciais e criar regras claras para as transações internacionais. A OMC desempenhou um papel fundamental na resolução de conflitos anteriores, como em 2004, quando o Brasil obteve autorização para impor sanções contra produtos dos EUA. Contudo, a atual paralisia do órgão de apelação limita severamente sua eficiência.
Desde 2019, o órgão responsável por resolver disputas na OMC está inativo devido à recusa de Trump em aprovar novos juízes, o que levanta dúvidas sobre a eficácia de um apelo brasileiro.
Entidades empresariais, ao se referirem ao posicionamento do Brasil, têm incentivado o governo a optar pelo caminho da negociação ao invés de retaliar, com o intuito de evitar uma escalada nas tensões. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) emitiu uma declaração manifestando preocupação e enfatizando a importância da diplomacia para construir soluções.
""O momento exige a retomada do diálogo e o fortalecimento dos canais diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos, a fim de prevenir ações que possam agravar a situação."
Em consonância com essa perspectiva, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) reforçou que a reciprocidade não traz benefícios nas atuais divergências e pode complicar ainda mais as condições econômicas para as empresas brasileiras.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de política

Lula defende negociações após tarifas dos EUA
Presidente enfatiza a continuidade do diálogo com americanos

Augusto Billi é empossado como novo secretário de Comércio do Ministério da Agricultura
Billi assume a secretaria após exoneração de Luis Rua

Geraldo Alckmin critica tarifas dos EUA e anuncia medidas de reciprocidade
Vice-presidente defende reações contra tarifaço aplicado por Trump

Brasil se prepara para resposta a tarifas dos EUA no G7
Governo avalia retaliações e disputa na OMC após novas taxas.





