Levantamento mostra que apenas 13% das candidaturas a deputado federal concentram a maioria dos recursos.

Homens brancos e candidatos em busca de reeleição predominam entre os mais favorecidos com os repasses realizados pelos partidos nas eleições de 2026, conforme levantamento feito pelo g1 com base nas prestações de contas de campanha do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao todo, 25 partidos destinaram recursos a 5.766 candidatos, mas apenas 52 candidaturas receberam a maior parte dos valores enviados por suas siglas, totalizando R$ 122,6 milhões de um montante de R$ 2,6 bilhões. Dentre esses, 61,5% são homens, 67,3% são brancos e 55,7% estão buscando reeleição.
✨ A análise revela que apenas 13% dos candidatos receberam mais da metade dos recursos, evidenciando uma concentração desigual de financiamentos.
A pesquisa da ONG Transparência Brasil confirmou que a distribuição desigual se estende a todas as candidaturas proporcionais. Embora a proporção de candidatos brancos e não brancos seja quase igual, as candidaturas brancas foram favorecidas com 60,4% dos recursos públicos.
As mulheres representam 35,6% das candidaturas, mas recebem apenas 21,3% dos recursos, enquanto as mulheres não brancas obtêm 17,3%.
Bianca Berti, analista da ONG, afirma que o perfil dos candidatos prioritários para os partidos explica tanto as desigualdades de representação quanto a baixa renovação do Legislativo. A concentração de recursos financeiros impacta diretamente nas chances de sucesso eleitoral.
Neste contexto, foram identificados 25 candidatos a deputado federal que receberam mais de R$ 3 milhões, com destaque para Rosana Valle, do PL, que recebeu R$ 3,3 milhões, e Daniela do Waguinho, do Republicanos, com R$ 3,1 milhões.
A pesquisa também apontou que 326 dos 786 candidatos que concentram os recursos têm histórico de mandatos. Essa situação evidencia a dificuldade que novos candidatos enfrentam para obter financiamento em comparação aos já estabelecidos.
Além disso, esposas de políticos e personalidades conhecidas também estão entre os beneficiados, com candidaturas que recebem altos repasses, como a esposa do ex-governador Mauro Mendes, Virgínia Mendes.
Com isso, a análise reafirma a necessidade de uma revisão nas normas de financiamento de campanhas para promover uma representação mais equitativa e uma renovação efetiva no Legislativo.
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Jornalista especializado em Política




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