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política
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Congresso argentino aprova reforma que prioriza mineração em geleiras

Mudanças na Lei das Geleiras geram protestos e divisão entre deputados

Acro Rodrigues09 de abril de 2026 às 07:50
Congresso argentino aprova reforma que prioriza mineração em geleiras

O Congresso da Argentina aprovou na madrugada desta quinta-feira (9) uma proposta do presidente Javier Milei que altera as áreas de proteção dos geleiras, visando expandir a mineração, mesmo diante da forte oposição de ativistas ambientais.

Com um resultado de 137 votos a favor, 111 contra e três abstenções, a Câmara dos Deputados deu o sinal verde à reforma da Lei das Geleiras, após um extenso debate de quase 12 horas. Este projeto já havia recebido a aprovação do Senado em fevereiro do mesmo ano.

Milei declarou que a mudança volta a trazer um 'verdadeiro federalismo ambiental' para a Argentina.

O presidente, que adota uma postura ultraliberal, afirmou que a nova legislação é essencial para atrair investimentos na mineração. 'Os ambientalistas, que insistem em barrar o progresso da Argentina, foram derrotados novamente', celebrou Milei.

Apoio e Contestação

O governo contou com o apoio de aliados de direita e de representantes de províncias andinas, como Mendoza e San Juan, que são os principais centros de atividade mineradora e abrigam várias geleiras do país. Contudo, essa aprovação não aconteceu sem resistência; milhares de manifestantes se reuniram em protesto, clamando por maior proteção dos recursos hídricos.

Ativistas afirmam que a reforma pode agravar a crise climática e ameaçar as reservas de água da Argentina.

Contexto

Em 2018, a Argentina tinha cerca de 17 mil geleiras, incluindo geleiras de detritos, com as regiões mineradoras enfrentando uma redução de 17% nas massas de gelo devido ao aquecimento global.

A defesa da reforma sustenta que ela trará mais clareza às regras sobre áreas protegidas, devolvendo às províncias o controle sobre seus recursos. Em contrapartida, a oposição denunciou que a medida é inconstitucional, contrariando acordos internacionais e colocando em risco a água potável.

A aprovação dessa reforma representa mais uma conquista de Milei, que já havia implementado mudanças na legislação trabalhista em fevereiro passado, desconsiderando os protestos contínuos da população.

O presidente visa aumentar a produção de recursos como cobre e lítio, frequentemente comparando a Argentina com o Chile, o maior produtor global de cobre. Segundo o Banco Central, as exportações de mineração do país podem triplicar até 2030.

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A alteração é calculada para beneficiar grandes mineradoras e comprometer a disponibilidade de água para 70% da população argentina

Enrique Viale, presidente da Associação Argentina de Advogados Ambientalistas.
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A crise climática é uma realidade vivida globalmente. Prejudicar as geleiras apenas piora a situação

Diego Salas, do Greenpeace Argentina.

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