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política
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Congresso derruba veto de Lula e gera retrocesso político no Brasil

Decisão evidencia fragilidades institucionais e reações políticas adversas.

Camila Souza Ramos30 de abril de 2026 às 15:45
Congresso derruba veto de Lula e gera retrocesso político no Brasil

A decisão do Congresso Nacional de revogar o veto do presidente Lula ao projeto que diminui penas para condenados por atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023 é vista como um retrocesso significativo para a política e o direito brasileiro, segundo especialistas entrevistados.

A votação se deu com 318 deputados a favor da derrubada do veto e 144 a favor de sua manutenção, além de cinco abstenções. No Senado, o resultado foi 49 a 24. Para realizar a anulação do veto, era necessária uma maioria absoluta, que corresponde a 257 deputados e 41 senadores.

A revogação evidencia um panorama preocupante para a democracia brasileira, refletindo a aversão à Justiça e a leniência com golpistas.

O projeto de lei, conhecido como PL da Dosimetria, avançou em meio à dificuldade do governo em aprovar uma anistia ampla, que tem como alvo evitar punições a Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão. A aprovação deste projeto poderá acelerar a possibilidade de que Bolsonaro consiga uma progressão para o regime semiaberto antes de 2033.

Análise Histórica e Jurídica

A aceitação deste projeto não é algo inesperado, considerando a história do Brasil em proteger figuras envolvidas em golpes. O historiador Carlos Fico destaca que o país sempre demonstrou uma certa complacência com ações golpistas, afirmando que essa nova legislação reafirma essa tendência negativa e a fragilidade institucional da democracia.

"

"O PL da Dosimetria beneficia pessoas condenadas por tentativa de golpe e reafirma a leniência com o golpismo, evidenciando a fragilidade institucional da democracia brasileira."

Carlos Fico

Por outro lado, o jurista Lenio Streck argumenta que a decisão do Congresso contraria a Constituição. Para ele, não há respaldo legal para o Legislativo diminuir penas já definidas pelo Judiciário. A expectativa de que o Supremo Tribunal Federal se manifeste sobre essa questão ainda persiste, mas a direita extrema tem pressionado o STF, criando um clima de instabilidade.

O atual cenário aponta para uma crescente pressão sobre o STF, que deve agir apenas quando provocada, dificultando sua habilidade de contestar decisões interpretadas como favoráveis pelo governo.

A condução dos processos legais e a proteção do sistema de justiça estão em jogo, enquanto o Congresso ainda se mostra alinhado aos interesses da ultradireita. Especialistas alertam que, apesar da vitória de Lula em 2022, os riscos de novas tentativas de golpe não foram eliminados. Com a polarização crescente, a democracia brasileira enfrenta desafios profundos que podem se agravar diante de crises futuras.

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