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Crime organizado utiliza narcolanchas para tráfico internacional

Investigação revela novas táticas do tráfico de drogas para a Europa

Ricardo Alves13 de junho de 2026 às 07:40
Crime organizado utiliza narcolanchas para tráfico internacional

Uma investigação da Polícia Federal revelou que o crime organizado está utilizando narcolanchas como parte essencial das rotas marítimas para o tráfico de drogas, especialmente para a Europa, com destaque para as operações da Máfia dos Balcãs.

No dia 11 de novembro, a superintendência da PF na Bahia desencadeou uma operação contra um esquema de tráfico de cocaína vinculado a esse grupo criminoso. A cadeia de suprimento inicia-se em países da América Latina, como Bolívia, Peru e Colômbia, segue pelo Brasil e faz uma parada na África Ocidental antes de chegar ao continente europeu.

Rota Complexa do Tráfico

As drogas são transportadas por rotas transoceânicas que terminam em locais estratégicos como Sérvia, Croácia e Bósnia. Portos brasileiros, como Santos e Salvador, atuam como pontos de parada críticos durante a travessia pelo Atlântico, especialmente em Cabo Verde, onde ocorrem reabastecimentos e trocas de embarcações.

As narcolanchas são projetadas para velocidades superiores às de embarcações de patrulha, dificultando a interceptação.

Essas embarcações, que podem ser supervelozes, semi-rígidas ou infláveis, são utilizadas não só para o transporte rápido de drogas em distâncias curtas, mas também para abastecer barcos maiores em alto-mar, longe do alcance das autoridades.

Inovação nas Táticas Criminosas

Um dos principais métodos adotados pelo crime organizado envolve a utilização de uma variedade de embarcações, funcionando como a 'espinha dorsal' das rotas marítimas. Veleiros são empregados em viagens longas, enquanto 'narcossubmarinos' são elaborados para operar com o máximo de discrição.

Recentemente, a Marinha Portuguesa apreendeu um submersível que transportava mais de 1,7 tonelada de cocaína. Essa apreensão, juntamente com a captura do veleiro 'Oceania Dos' em 2023, que carregava 2,8 toneladas da droga, foi um marco na operação que levou à investigação mais recente, nomeada 'Balcãs'.

O Papel do Cartel dos Balcãs

O Cartel dos Balcãs é identificado como um dos maiores importadores de cocaína do Brasil, aproveitando a demanda por uma droga de alta pureza, cujos lucros são reinvestidos em outras atividades ilegais, como lavagem de dinheiro e tráfico de armamentos.

As mudanças nas rotas e métodos de operação dificultam a atuação das forças de segurança.

Apesar do aumento da fiscalização promovida pela Polícia Federal e pela Marinha em várias nações, o crime organizado tem demonstrado flexibilidade em suas táticas, alterando frequentemente rotas para escapar da detecção e utilizando tecnologias subaquáticas.

Desafios para Interceptação

As embarcações avançadas e os métodos variados estão cada vez mais dificultando a ação das agências de fiscalização.

As múltiplas camadas de intermediários, que variam entre Brasil e África Ocidental, fazem com que a identificação dos líderes dos grupos criminosos seja mais complicada.

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